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A/C Mamãe

16.03.06

por Rodrigo Ortega

Robbie Williams - Intensive Care

(EMI, 2005)

Top 3: “Tripping”, “The trouble with me”, “Random acts of kindness”.

Princípio Ativo:
Molho inglês

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Querida mamãe,

Quero ir para a Inglaterra. Eu sei, já conversamos e o dinheiro está difícil. Mas ouvi o último disco do Robbie Williams e tenho novos argumentos para a senhora me ajudar. Lembra aquela música de Mulheres Apaixonadas, “Sexed Up”? Então, é do Robbie Williams. E aquela do KLB, “Um Anjo”? É versão de uma música dele. O recorde de público na Grã-Bretanha também é dele: 375 mil pessoas. Ele cantava no Take That, aquela boy band, lembra? Você pode dizer: “Mas o Brasil já tem vários cantores românticos de rádio, e que eu saiba você não gosta deles...”. Aí é que está, mãe: a Inglaterra é um lugar tão bom, que até os cantores românticos de lá são bacanas.

O disco se chama Intensive Care, foi o disco mais vendido na Europa em 2005 mesmo tendo sido lançado em outubro, e lembra os anos oitenta. O novo single, “Tripping”, deve te dar vontade de dançar como na época em que eu era um bebê e o Roupa Nova fazia sucesso, assim como a balada eletrônica “Sin sin sin”. Os falsetes de “Please don’t die” procuram a inocência que ficou perdida na luva do Morrisey em 1984. Parece que no país dele é mais fácil ver o passado sem vaidade e auto-referência como o Capital Inicial ou o Barão Vermelho.

Mas Robbie Williams não dispensou as guitarras em “Your gay friend” e “A place to crash”. Ele é um cara antenado, amigo dos roqueiros do Bloc Party. Em “Spread your wings”, Williams chega a um meio-termo amigável entre Velvet Underground e Simply Red. Imagine só, na Inglaterra os bonzinhos podem ser amigos dos mauzões. Por aqui, eles são agredidos, como o Marcelo Camelo pelo Chorão. E você sabe, eu sou bonzinho. A viagem é questão de segurança, mamãe.

“Mas não foi na Inglaterra que mataram um brasileiro no metrô?” Foi, mas não se preocupe, a maioria dos ingleses tem bom coração. “Para aqueles que choram / nós te amamos / Para aqueles que vivem com medo / do Feliz Natal e ano novo / Eu brindo a vocês“, canta Robbie em “Random acts of kindness”, um hino de estádio sem afetação. Tem até coral gospel em ”Ghosts” e “Make me pure”.

Ele pega pesado no romantismo saudosista à Elton John em “Advertising Space” e “King of broke and bird”. Pelo menos soa sincero. A edição mais recente da revista Bizz (“Me dá cinco reais pra comprar Showbizz!”, lembra?) tem um editorial interessante que diz que as pessoas no mundo pop do Brasil têm medo de jogar. Mas termina com um papo difícil de que a Bizz está fazendo os artistas perderem o medo. Eu prefiro o caminho mais fácil, mamãe. Quero ir para a Inglaterra.

Um beijo,

Rodrigo

Robbie, um inglês preocupado com aqueles que choram

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