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Todos os pecados

28.04.06

por Braulio Lorentz

Luxúria - Luxúria

(SonyBMG, 2006)

Top 3: “Pés no Chão”, “Frakenstein do Subúrbio” e "Ódio".

Princípio Ativo:
Aaaaaaa...

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Luxúria
É o nome da banda

A vocalista Meg Stock, o baixista Luciano Dragão, o guitarrista Beto Richieri e o baterista Guilherme Cersosimo se apresentaram em vários festivais em 2005. A banda deu a cara a tapa no Mada, em Natal. Meg, que na verdade se chama Marjorie, mostrou sua calcinha vermelha no Porão do Rock, em Brasília. E, pra fechar, estiveram no Oi Tem Peixe na Rede, realizado em três capitais da região Sudeste: Vitória, BH e Rio. Tamanha exposição fez com que o quarteto assinasse com uma grande gravadora.

Cobiça
A banda quer conquistar as FM’s

"Ódio" está nas paradas e na boca da minha irmã mais nova. A canção abre o álbum e resume em pouco mais de quatro minutos tudo a que o disco se propõe. A tentativa aqui está no esboço: o Luxúria procura o caminho das letras supostamente inteligentes, mas esbarra nos gritos sem muito propósito.

Ira
Eles são paulistas como o Ira!

Além do nome de pecado capital e do fato de serem conterrâneos, nada mais agrupa esses dois nomes na mesma prateleira. Nas lojas que não colocam os CDs em ordem alfabética, o álbum do Luxúria deverá estar perto dos discos do Leela ou da Pitty.

Inveja
Será que Stock tem inveja das calouras?

Cabelos curtos coloridos e gritos quilométricos são as características em comum das duas Marjories, a Stock e a Estiano. Ambas parecem ter saído de um programa de calouros. Elas são afinadinhas e fazem questão de demonstrar isso. No final, acaba ficando meio chato.

Avareza
A “pão-durice” está estampada neste disco

O disco foi mixado por Ron Allaire, que já assinou trabalhos dos Ramones e da Avril Lavigne. A masterização, feita no estúdio nova-iorquino da Sony, contou com o engenheiro de som das fixações orais de Shakira. Parece que se esbanja dinheiro, mas a fraquinha capa do disco prova o contrário.

Gula
Meg abre a boca e quase engole o mundo

Sobra dinheiro na produção e sobram vogais. "Cinderela Compulsiva" e "Contrariada" são títulos de músicas que não terminam com a letra "a" por acaso. Essas palavras permitem que Meg estique o "a" para transformá-lo em "aaaaaaa".

Preguiça
A audição do disco dá uma baita preguiça

“Pés no Chão”, perdida no meio do disco, tem letra menos forçada do que as demais: “E agora pode me levar no colo/ Feito uma criança, num filme de assombração/ Não posso encostar os pés no chão”. “Frakenstein do Subúrbio” não provoca medo até o momento em que Meg fala rodoviária de um jeito que ninguém já falou. No fim, há um arroto, ou algo parecido com.

Com ou sem arroto de despedida, não há dúvidas de que esta é uma estréia cheia de pecados.

O Pílula clicou a Meg quando o Oi Tem Peixe passou por BH

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