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Coisa mais suja

30.04.06

por Rodrigo Ortega

Dirty Pretty Things - Waterloo to Anywhere

(Vertigo - importado, 2006)

Top 3: “Gin and Milk”, “Bang bang, you’re dead”, “You fuckin' love it".

Princípio Ativo:
Sujeira.

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Antes que alguém pergunte: sim, Dirty Pretty Things é melhor do que Babyshambles. Pelo menos em estúdio, a nova banda dos membros restantes do Libertines Carl Barat (guitarra, vocal) e Gary Powell (bateria), junto com o baixista Didz Hammond (ex-Cooper Temple Clause) e o guitarrista Anthony Rossomando, é mais competente do que o grupo do seu ex-companheiro Pete Doherty.

O nome da banda é o mesmo do título original do filme "Sobre coisas belas e sujas", 2002, de Stephen Frears (“Sra. Henderson apresenta”). O Dirty Pretty Things justifica mais o primeiro do que o segundo adjetivo do nome. O som é mais áspero e direto do que o do grupo anterior deles. Se os Libertines eram comparados ao Clash, os Dirty Pretty Things estão mais para Sex Pistols. Em "Wondering", Carl Barat tenta soltar tantos perdigotos quanto Johnny Rotten ao pronunciar "pretty", o que não é nada bonito.

O ótimo single "Bang bang, you're dead" tem o selo original 100% Britpop, não só pela melodia típica do rock britânico, mas pela reciclagem musical, prática comum entre as bandas com esta marca. O refrão é bem parecido com o da faixa anterior e com o da seguinte, respectivamente "Doctors and dealers" e "Blood thirsty bastards". No single, Carl diz: “Eu te dei o toque de Midas / enquanto você se voltou para arranhar meu coração”, mas nega que a música seja sobre o ex-guitarrista de sua ex-banda.

Quem procurar em Waterloo to Anywhere faixas suaves como "Music when the lights go out", do segundo disco dos Libertines, vai ter um trabalho mais difícil que o do advogado de Pete Doherty. O melhor é se contentar com a falta de canções mais melódicas e balançar a cabeça com "You fuckin' love it".

A música “B.U.R.M.A”, anunciada inicialmente na lista de faixas de Waterloo to Anywhere, fecharia o disco em tom sentimental (“Mande seu coração em um telgrama / Rezo para que você saiba onde estou”), mas foi limada do CD e incluída apenas em uma edição especial do álbum em vinil. Apesar da arruaça no som, as letras parecem buscar mais sobriedade, seguindo o exemplo recente da Pink. "O inimigo está dentro da minha cabeça", se auto-analisa Carl em “The enemy”.

Depois de se acostumar com as coisas mais sujas, dá para morrer de dançar em "Deadwood", e encher a cara com "Gin and Milk". Carl Barat ainda é uma das poucas pessoas que consegue cantar “Me dê algo pelo qual eu possa morrer” e parecer sincero. O disco é bem bacana no fim das contas, mas ganha 60º com o mesmo puxão de orelha dado em Josh Homme pelo seu último disco: "Mas Carl, a gente esperava muito mais de você...".

Carl Barat, segundo da esq., orgulhoso de sua banda
(Foto: Kevin Westenberg)

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