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02.05.06

por Rodrigo Ortega

Terapia do Amor

(Prime, EUA, 2005)

Dir.: Ben Younger
Elenco: Meryl Streep, Uma Thurman, Brian Greenberg, Jon Abrahams

Princípio Ativo:
Idade

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David é mais novo que Rafi
Este é o dilema inicial de “Terapia do Amor”. Rafi Gardet (Uma Thurman, de Kill Bill e Os Produtores), de 37 anos, se apaixona por David Bloomberg (Bryan Greenberg, do seriado One Tree Hill), de 23. Como se não bastasse, a terapeuta de Rafi, Lisa Metzger (Meryl Streep, de As Horas), é a mãe judia e superprotetora de David. Além de ter abraçado a causa do seu sobrenome, o diretor Ben Younger fez um filme de ruptura na comédia romântica. Meryl Streep ficou com a parte da comédia e Uma Thurman com a metade romântica.

Thurman é mais nova que Streep
A musa de Tarantino, com uma meiguice surpreendente, teve que lutar com a sensacional Meryl Streep, muito mais cobra do que A sogra da Jennifer Lopez. Mas Thurman conseguiu fazer a cena do beijo de Rafi e David no elevador merecer tantos “owns” quanto os “hahahas” da cena da sogra terapeuta pirando no seu próprio consultório.

Greenberg é mais novo que Thurman
Na turma de atores como Michelle Williams, ex-Dawson’s Creek, do aclamado “Brokeback Mountain” e Topher Grace, ex-That 70’s Show, do fofo “Em boa companhia”, Bryan Greenberg mostra que a geração Dawson’s Creek quer virar adulta. A cena em que Rafi se arrepende de ter dado um Nintendo ao jovem é emblemática. Mas a interessante narrativa de amadurecimento do ator/personagem (Greenberg vira Bloomberg) é mais uma concorrente para o romance e a comédia. No fim das contas, as atuações se atropelam mais do que andam juntas.

Younger é mais novo que Allen
“Acho que criamos um bom híbrido de filme independente nova-iorquino com comédia romântica de estrelas do cinema”. Ben Younger é pretensioso nesta declaração e em detalhes forçados do seu segundo longa, como os protagonistas se conhecerem em uma sessão de um filme de Antonioni e conversarem sobre vinhos e John Coltrane. Algumas sutilezas como as unhas sujas de tinta de David são bacanas, mas a sogra-terapeuta é assombrada pelo fantasma da mãe judia de Woody Allen em “Contos de Nova York”.

"Terapia do Amor" é mais novo que "Prime"
A ironia é que com tanta gente mais nova, um grande pecado de “Terapia do Amor” é ser velhinho. O filme estreou em outubro de 2005 nos EUA e só seis meses depois chegou aos cinemas brasileiros, ainda por cima com um título barango que destaca apenas a comédia da Meryl Streep. Sua personagem confessa que, mesmo com o sofrimento, o conflito de gerações valeu a pena, pois “há algumas semanas eu nem sabia que meu filho tinha um pênis”. Eu confesso que, mesmo com o atraso, o ingresso do cinema valeria a pena só por esta fala.

Uma Thurman não respeita os mais velhos

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