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Duas mil cento e poucas palavras

20.02.05

por Braulio Lorentz

Ludov - O exercício das pequenas coisas

(Deck Disc, 2005)

Top 3: “Sério”, “Sete anos” e “Princesa”

Princípio Ativo:
Palavras colecionadas no papel

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Conheci o Maybees quando ainda achava que o rock se resumia ao novo do Green Day e a uma coletânea esperta do Bryan Adams. A banda paulistana estava tocando uma versão de uma música do Cranberries, em um programa da HBO.

Após trocar duas vezes o baterista e mais duas o nome da banda, o Ludov lançou o elogiado EP Dois a Rodar, projeto que facilitou a expansão do séqüito de fãs e as negociações com gravadoras. Alguns meses se passaram e eles se tornaram o primeiro artista independente a colocar um clipe no Disk MTV. A música em questão, Princesa, fez tanto barulho que virou faixa-bônus deste Exercício das pequenas coisas, lançado pela Deck Disc.

Todas as outras 14 faixas do primeiro álbum do quinteto são inéditas. Boas sacadas estão em cada uma das letras das gemas pop do quinteto formado por Paulo Chapolin segurando as baquetas, Edu Filomeno no baixo, Habacuque Lima e Mauro Motoki nas guitarras e Vanessa Krongold nos vocais.

Kriptonita, o primeiro single, começa com pinta de Especial Acústico até as guitarras pesadas entrarem em cena. A música de trabalho traz uma das muitas frases bacanas do disco: “Quando eu te quiser/ Esteja em casa/ Esteja na sala de estar”. Sete Anos, cantada por Motoki, é a melhor do CD. Muito por causa dos versos: “Nosso amor já sabe ler e escrever/ Já é grande o bastante pra deixar a gente viver”.

Outros destaques são a calminha canção de abertura Sério, a bonita “Dorme em Paz” e a surreal “Tudo Bem, Tudo Bom”. Esta última traz palavras que lembram os filmes do francês Jean-Pierre Jeunet. “E eu no meu quarto assistindo a TV sem som/ Ouvindo os discos do Ziggy Stardust”, canta Vanessa. Quem nunca fez isso? O Ludov tem a melhor característica do diretor de Amelie Poulain: ambos expõem situações com as quais o ouvinte-espectador se identifica. Algo como dizer que ninguém mais se lembra do Balão Mágico – mais uma de “Tudo Bem, Tudo Bom” – ou observar as pessoas no cinema em vez de prestar atenção no filme, como a personagem Amelie faz. Coisas simples que você e eu fazemos.

Pensei que este seria o texto de disco de banda com vocal feminino em que eu não citaria o Kid Abelha. Mas não foi desta vez. Isso graças aos versos gêmeos das faixas Gramado e Mais uma vez, sobre o fato de uma casa estar cheia de flores. Explico: no disco Ie,ie,ie, a banda de Paula Toller tem três músicas que começam com “O sexo que fazemos...”

Os sorridentes integrantes do Ludov

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