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Power pop parcimônia

10.05.06

por Isabel Furtado

Teenage Fanclub – Man-made

(Slag Records, 2006)

Top3: “It’s all in my mind”, “Cells” e “Born under a good sign”.

Princípio Ativo:
Segurança

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Os sete discos produzidos durante 15 anos de carreira deram ao Teenage Fanclub toda a bagagem e experiência para que este Man-made fosse muito aguardado.

Os escoceses se reuniram em Chicago para dar vida ao álbum. O CD foi lançado em junho de 2005 na Europa, mas só agora aterriza na terrinha. Apesar de a exímia produção ser assinada pelo moderno John McEntire, incentivador do Tortoise, Man-made é seguro e pouco inovador.

Uma forte característica que se nota durante toda a gravação são os arranjos vocais de duas ou mais vozes simultâneas, de melodias complementares. Elas, somadas à presença do teclado e a uma levada de violão Jack power Johnson inevitavelmente me fizeram lembrar de Crosby, Stills and Nash e America. Transparecer influências é natural, e positivo, quando feito com parcimônia. Mas nesse caso passou dos limites e acabou se tornando um problema, que é soar antiquado.

Mesmo assim a banda consegue mostrar seu grande trunfo que é a boa capacidade compositora, com músicas bem articuladas, baseadas em melodias fáceis, mas nem por isso menos originais. Elas conseguem dar um quê de hit em cada faixa. Isso é o suficiente para afirmar a competência musical dos ídolos do power pop e justificar a expectativa em relação ao lançamento.

A música de abertura se chama “It’s all in my mind” e, mesmo sendo a mais “Mrs Robinson” de Man-made, ainda é a melhor. A repetição do mesmo tema melódico durante toda a música é a sua essência. O charme da canção vem no crescimento do corpo instrumental que, depois de abrir as janelas e deixar o sol entrar lá pelo seu um minuto e meio, tem como papel mostrar a poesia musical de que TFC é capaz.

O disco segue alternando paixão e tédio. Tem um toque de Tracy Chapman em “Cells”, uma harmonia diferente em “Save”, e deixa clara a amizade e a consonância do grupo com os colegas do Wilco em “Only With You”. Já em “Falling Leaves” o excessivo clima domingo de manhã toca o mau gosto com seu riff de guitarra que parece saído de um jingle de pasta de dente.

É só em “Born under a good sign” que Normam Blake, Raymond McGinley e Gerald Love exploram o peso dos seus instrumentos e perdem o medo do experimentalismo em um solo de guitarra longo e hipnótico. Essa é provavelmente a música mais enérgica do disco, com um caráter um tanto quanto Woodstockiano.

Man-made é, no balanço, um bom disco, com boas canções, bons arranjos, boas idéias, mas que está sempre no limiar da falta de graça. Um tom mais atual, que era inclusive o previsto para o disco, teria sido muito bem vindo.

A banda sem os mesmos cabelos longos de tempos passados

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