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002 – Os Roteiros são Eternos

22.02.05

por Lívia Bergo

Miss Simpatia 2: Armada e Poderosa

(Miss Congeniality 2: Armed & Fabulous, EUA, 2005)

Direção: John Pasquin
Elenco: Sandra Bullock, Regina King, Enrique Murciano, Diedrich Bader, Treat Williams, Heather Burns, William Shatner, Ernie Hudson.

Princípio Ativo:
Armas & rosas

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Agente do FBI depara-se com uma missão importante, mas seu chefe imediato insiste em mantê-la fora do caso. Ela decide investigar tudo por conta própria, com a ajuda de um consultor de estilo e um parceiro fiel. Qual é o filme? Miss Simpatia? Hum... não. Mas passou perto. “Miss Simpatia 2: Armada e Poderosa” é, de fato, a reedição dos melhores, porém já ultrapassados, momentos do filme de 2000.

A indicação de Sandra Bullock ao Globo de Ouro a incentivou a investir na personagem Gracie Hart, em especial depois que seu projeto “Menina de Ouro” saiu de suas mãos direto para o Oscar, entregue a Clint Eastwood e cia. Para quem não sabe, Bullock tinha os direitos de filmagem e pretendia ser a protagonista, mas não conseguiu nenhum estúdio que investisse nela. Foi forçada, assim, a passar o projeto adiante, o qual tornou-se o grande filme de 2005 através de outros produtores e outra atriz.

A solução foi apelar para seus velhos conhecidos de “Miss Simpatia” e “Amor à Segunda Vista”: o roteirista Marc Lawrence (agora também co-produtor) e a atriz Heather Burns (que interpreta a Miss EUA).

Bullock consegue se destacar em relação a vários aspectos dessa segunda produção (como a fraca edição e o roteiro pouco original), mas ela não está sempre sozinha. Na cena em que se passa por uma idosa, por exemplo, a atriz não convence, mas é salva pela interpretação consistente de Regina King, que vive a agente Sam Fuller. Esse nome, aliás, é uma homenagem ao diretor de “Cão Branco”, conhecido pelos personagens sem espaço na sociedade, mas que têm um final irônico e reticente.

Retomando a série de clichês, a parceria entre as duas agentes, por alguma razão, nos lembra Eddie Murphy e Nick Nolte, em “48 horas”. Ou, ainda, Mel Gibson e Danny Glover, em “Máquina Mortífera” (1, 2, 3 e 4). Resumindo: os desentendimentos, sucedidos de lições de amizade e respeito ao próximo, estão garantidos na trama.

É triste perceber que a única inovação do filme tenha ficado por conta de um deslize da produção, que não conseguiu estabelecer um acordo com Benjamin Bratt, intérprete do agente Matthews no primeiro filme. A opção por não dar a Hart um par romântico seria bem vista, se não percebêssemos, ao longo de toda a trama, que o personagem de Bratt foi tirado do script às pressas. Assim, as cenas em que ela cita o agente ou mesmo conversa com ele pelo telefone são as mais incômodas do filme. Afinal, o personagem está lá, mas o ator não. Complicado, hein?

A sensação, ao final, é a mesma do primeiro filme: apesar de ironizar o desejo das pretensas misses pela “paz mundial”, o roteiro busca apenas isso, a paz entre as partidárias do feminismo e as adeptas do secador e maquiagem. Sem arriscar-se a tender para um dos lados e perder a audiência do outro.

Showtime, 48 horas ou Máquina Mortífera? Você decide.

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