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Distorção e delay

08.06.06

por Rodrigo Ortega

MxPx - Panic

(Deckdisc, 2005)

Top 3: “Wrecking hotel rooms”, “Emocional Anarchist”, “Young and depressed”.

Princípio Ativo:
Punk 94

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O som atrasado

As guitarras se calam nas estrofes, levadas por baixo, bateria e uma melodia simples. A distorção dá liga ao refrão ganchudo. Na segunda vez, a guitarrinha abafada dá um previsível suspense ao refrão. A música é “Heard that sound”, e eu penso que já ouvi esse som.

Os autores são os norte-americanos do MxPx e o disco é Panic. Apesar de ter só canções inéditas, o álbum passaria fácil por uma coletânea de sucessos da década passada. Portanto, não confunda Panic, o disco, com Panic! At the Disco. Misturebas e gracinhas sonoras não são o forte do MxPx. Um tecladinho e uma introdução eletrônica em “Grey skies turns blue” são o máximo de modernice a que eles chegam.


O sucesso atrasado

O MxPx lançou seu primeiro disco em 1994. Isso explica a sonoridade do tempo em que Billie Joe usava menos maquiagem. Mas o estouro de “Wrecking Hotel Rooms” no Brasil em 2006, com direito a turnê por aqui, é mais difícil de explicar. Primeiro porque a banda já era conhecida por uma parte do público de hardcore, tanto que tocou no país em 2004, mas nunca fez stage dives nas paradas de sucesso.

Segundo porque, apesar do cinto de rebite e das tatuagens literalmente até o pescoço do vocalista Mike Herrera, ele não dança na rodinha emo. Ele tem outros assuntos além de relacionamentos difíceis. Em “Young and depressed”, o MxPx tira onda da nova geração: “You’re young and depressed / But you’re pretty well dressed”.

Os BPMs atrasados

“Wrecking Hotel Rooms” tem bem menos batidas por minuto do que o resto do disco, o que deixa a canção mais palatável. A faixa tem vocais de apoio de Mark Hoppus, ex-baixista do Blink 182. O outro momento pé-no-freio do disco é a última faixa, “This Weekend”, que lembra as canções do Simple Plan, ou melhor, no caso dos roqueiros mais crescidos, as baladas do Weezer.

A resenha atrasada

O disco saiu no ano passado e a banda passou pelo Brasil há um mês. Mas se em “Late Again” o próprio Herrera admite que não é pontual (“I’m late again, forgive me friends / I was late trying to put this record”), nada me impede de me divertir com esta música, ou de cantar junto no corinho de “ô-ô-ô” no hardcore mais tradicional de “Cold streets”.

Outro bom momento é a forma totalmente anti-emo de encarar a atual ruína política e emocional contemporânea em “Emocional Anarchist” (“You’re an emocional arnarchist / You’re pissed cause you’re never been kissed.”). Além do atraso, o fato de a banda se auto-denominar cristã poderia ser um entrave à diversão. Mas se eles mesmos citam a influência de Bad Religion, acho que este também não é um problema.

Da esq.: Yuri Ruley (bateria), Mike Herrera e Tom Wisniewski (guitarra)

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