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Roteiro de 7 cabeças

26.02.05

por Daniel Oliveira

O Diabo a Quatro

(Brasil, 2004)

Direção: Alice de Andrade
Elenco: Maria Flor, Marcelo Faria, Evandro Mesquita, Jonathan Haagensen, Marcelo Libar, Netinho Alves, Ney Latorraca, Marília Gabriela, Chris Couto

Princípio Ativo:
Copacabana, onde tudo pode acontecer

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O cruzamento de três linhas narrativas, uma perseguição acirrada, um tiroteio. Poucos longas nacionais têm uma seqüência inicial tão promissora quanto “O Diabo a quatro”. Pena que o longa de Alice de Andrade acabe caindo na maioria dos clichês que o “cinema urbano” brasileiro tem criado.

Rita (Maria Flor) é uma babá que decide se prostituir porque Paulo Roberto (Marcelo Faria), por quem ela é apaixonada, só sai com as mulheres de vida fácil de Copacabana. Junte-se uma busca por um carregamento de maconha perdido próximo às praias cariocas (o que realmente aconteceu na década de 80); e um garotinho mineiro (Netinho Alves), que foge para o Rio para conhecer seu ídolo Fúlvio Fontes (Evandro Mesquita), apresentador de TV claramente inspirado na história de Sílvio Santos.

Ney Latorraca e Marília Gabriela fazem participações especiais como os pais de Paulo Roberto – sendo que ele é um político em campanha e ela é uma ninfomaníaca que protagoniza uma das cenas mais desnecessárias do filme, ao seduzir um entregador de pizza. Ainda no elenco está Chris Couto, mãe ausente do bebê de que Rita toma conta; Márcio Libar, como o cafetão da mocinha; e Jonathan Haagensen, como um traficante.

Alice disse em entrevista durante a Mostra do Rio que desejava virar os clichês cariocas do avesso. Infelizmente, seu longa se perde em várias falhas, das quais se destacam os furos no roteiro (escrito por sete pessoas!) e o último ato extremamente prolongado. “O Diabo a Quatro” não pareceria tão forçado se acabasse quando quatro dos personagens decidem fugir da confusão que armaram no Rio. O filme ainda tem vários ganchos para terminar depois disso, mas a diretora quer esgotar ao máximo seus personagens, o que deixa o espectador cansado e impaciente.

No fim, a escolha de Copacabana como pano de fundo e a trilha sonora (com Lenine e Pedro Luís e a Parede, dentre outros) são os maiores destaques do filme. Sexo, drogas, tramas entrecruzadas e road movie se perdem em um roteiro que descarta boas interpretações (como as de Chris Couto e Marília Gabriela, que somem de repente) e aposta em outras ruins (Evandro Mesquita, que também é um dos roteiristas, faz dois personagens!!!). O longa passa por ação, crônica social, surrealismo, realismo fantástico e acaba como um gênero nada agradável: comédia sem graça. “Segue o seu caminho, se não for o meu, eu desvio” é o que Rita responde ao final do filme a um caminhoneiro. O problema talvez seja que “O Diabo a quatro” pega desvios demais.

Comédia sem graça apresenta os clichês do “cinema urbano”

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