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Quero ser U2

26.06.06

por Braulio Lorentz

Keane – Under The Iron Sea

(Universal, 2006)

Top 3: “Is It Any Wonder”, “Crystal Ball” e “Put It Behind You”.

Princípio Ativo:
Teclados-guitarrinhas pra ouvir no sofá

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O segundo disco do Keane, Under The Iron Sea, pode ser considerado uma volta aos primódios da banda. No começo da carreira, no meio da década passada, o trio inglês costumava ter guitarrista e tocar covers do U2. O som de guitarra (produzido por sintetizadores, é verdade) bate cartão em algumas músicas deste álbum e o vocalista Tom Chaplin canta como se fosse um Bono Vox chiliquento. Parece ironia, mas é um elogio, pois o parceiro de The Edge é uma baita referência no ramo.

Algumas características das três melhores músicas do CD (“Is It Any Wonder”, “Crystal Ball” e “Put It Behind You”) são a cara da banda favorita do Keane. Nessa última, existe um momento – entre três minutos e três e meio de canção – que parece ter se perdido do disco All That You Can’t Leave Behind, lançado em 2001 pelos irlandeses mais famosos do mundo.

A afirmação é feita com base nas guitarrinhas-teclados, nos vocais principais e de apoio. Então, repare bem no trecho “Don't care what she said and / Only in your head / Time will help you out / Still you don't see her” antes de ressaltar que não existem ecos de U2 em Under The Iron Sea.

O problema não é entregar canções que se parecem com as da fase atual da trupe do Bono. A questão é que as melhores faixas do disco são as que possuem essa qualidade. Quando esquecem os belos rocks de sofá e pendem pro lado das baladas, tudo perde um pouco o colorido.

“Hamburg Song”, por exemplo, tem um final muito bonito, só que o problema é ficar acordado até o fim para ouvi-lo. Dói o coração esperar uma faixa do quilate de “Somewhere only we know”, maior sucesso do grupo e presente no álbum de estréia, e ouvir a xoropada que é “Leaving So Soon”. “Broken Toy”, o penúltimo suspiro do CD, é tão mal-assombrada que chega a dar um certo medo. “Nothing In My Way” e “Bad Dream” tentam virar o jogo, mas garantem somente um empate.

Confesso que acho os caras talentosos, mas eles não passaram com louvor no teste do segundo disco. Apenas passaram. Com mais umas três ou quatro agitadinhas à la U2, a história seria bem diferente.

Falta alguma coisa. Talvez seja o The Edge...

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