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Religião radiofônica

17.07.06

por Isabel Furtado

Matisyahu – Youth

(Epic, 2006)

Top 3: “Youth”, “Unique is my Dove” e “Fire Of Heaven/Altar Of Earth”.

Princípio Ativo:
Auto-ajuda

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Comumente, Matisyahu é apresentado como o jovem judeu ortodoxo que compõe Reggae com toques de Rap. A primeira vez que ouvi a descrição pensei: boa jogada de marketing! Uma pitada de exotismo é sempre bem vinda quando o objetivo é vender música.

Apesar da fachada, o reggae de Matisyahu é fundamentalmente careta. Tem o tema principal bastante similar ao de muitas músicas daquele reggae criado na Jamaica no final dos anos 60: disseminar uma mensagem religiosa.

O Reggae já serviu de voz para a filosofia Rastafari e agora Matisyahu usa o gênero para profetizar sua mensagem de fé e espiritualidade judaica. O próprio músico explica que rastafarianismo e judaísmo “são religiões rebeldes que buscam a dimensão espiritual. O rastafarianismo também tem as raízes no Antigo Testamento”.

Pelo seu conteúdo motivador, este disco poderia ser classificado como disco de auto-ajuda, se essa categoria existisse. Fala-se principalmente do poder de escolha e da força interna de cada um, temas já explorados inúmeras vezes. O profeta da juventude fala tudo isso de forma politizada e descolada, como é de se esperar de um bom nova-iorquino que sempre esteve no meio musical.

Em contrapartida, musicalmente o artista escolheu seguir uma linha de reggae mais tradicional com esporádicas pitadas de inovação. Ao longo do disco é possível encontrar um beat-box aqui, um scat (estilo jazzístico de canto improvisado apenas com barulhos e sílabas sem sentido) ali, uma guitarra distorcida acolá, versos cantados no estilo mais hip-hop, outros no estilo yiddish, mas nada muito além disso. A ambiência sintetizada é bastante inspirada naquela criada pelo UB40 nos anos 90.

A canção-título “Youth” já é conhecida por aqui, e pode ser facilmente escutada no rádio e na MTV. Com jeito de hino adolescente, a música começa com um riff pesado de guitarra, segue com versos longos e cuspidos com rapidez para então chegar ao refrão que é sem dúvida o melhor do disco.

Os ritmos e climas variam bastante ao longo de Youth, o que é muito bom, pois afasta a possibilidade de entediar o ouvinte. Algumas canções são mais melódicas, tendendo pro R&B, outras são alegres, quase caribenhas, mas todas com potencial de se tornarem bons hits.

Matisyahu está longe de ser sensacional, mas é, no mínino, um respiro de variedade dentro do mar acinzentado e sem ondas que é a música pop americana.

Ele até puxa a barba para mostrar que ela é de verdade

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