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Tá frio

02.08.06

por Luciana Dias

Gnarls Barkley - St. Elsewhere

(Warner, 2006)

Top 3: “Just A Thought”, “Storm Coming” e “The Last Time”.

Princípio Ativo:
Su-ces-so

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O Gnarls Barkley é composto por Danger Mouse, produtor mega hypado, e Cee-Lo, um rapper-crooner, se é que isso existe. Eu não vou ficar aqui falando sobre como Mouse é um produtor bacana, porque não sei se ele é. Ele produziu o Demon Days do Gorillaz. Bacana. Ele fez o Grey Album, aquele que juntou o Jay-Z com os Beatles. Tem senso de humor o moço. É isso o que eu sei. Depois de escutar o Gnarls, não me deu vontade de procurar outras cousas.

Não esperei ansiosamente por este álbum. Eu nem sabia direito quem esse caras eram, mas li sobre e descobri que muitas pessoas aguardaram. Tanto que a música “Crazy”, o single-sucesso-melhor-música-do-ano do Gnarls, vazou e foi muito comentada e tudo. O troço cresceu e de repente: single número um na... Inglaterra. Bom, desde então, eles emplacaram música número um do iTunes, já são su-ces-so nos EUA e agora tocam em vários rádios brasileiras.

Li uma entrevista em que Mouse falava que a maior parte do St. Elsewhere foi composta individualmente, ele e Cee Lo trocando e-mails, enviando um para o outro partes de suas composições. Muito normal na pós-modernidade, certo? Bom, eu acho que falta calor no disco, e talvez, mas só talvez, isso possa me servir de explicação.

St. Elsewhere é legalzinho. Não consigo entender onde está a genialidade e inovação da coisa. Música boa faz isso: consegue uma junção de elementos que soam ao mesmo tempo absurdamente novos e clássicos. A Lauryn Hill fez isso, o Madlib faz isso, o Outkast faz isso. O Gnarls também. Com sucesso. Redondinho. Perfeito. Tão sem falhas, tão asséptico, tão cheio de canções grudentas que de tão curtas não chegam nem A INCOMODAR.

E ao mesmo tempo, não empolga. É morno. Na primeira faixa você escuta Cee Lo cantando “I'm freeeeeee” embuído de um espírito Stevie Wonder, e tem uma batida legal, supostamente animada, e você pensa: é promissor. Não me deu vontade nem de balançar a cabeça, quanto mais de levantar e sair cantando “I'm freeeee” junto com ele. E isso se repete em quase todas as faixas que se seguem, inclusive “Crazy”. A única música que me deu vontade de dançar foi a última, “The Last Time”. É a única faixa do disco que eu vou querer escutar de novo um dia. Mentira, “Just a Thought” eu gostei também, letra bacanuda. Mas eu não quis dançar essa.

Depois que eu li a entrevista do Danger Mouse, fiquei pensando que talvez a quentura que faltou foi essa. Ficar um tempo dentro do estúdio, questão de imersão mesmo. Contato humano sabe? Ou você acha que algum dia na vida Marvin Gaye ia pensar em um álbum composto 80% via Internet? “Sexual healing” beibi.

Sim, eles venceram pelo talento

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