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Por que não eles?

04.03.05

por Rodrigo Ortega

Tianastácia - ao vivo

(EMI, 2005)

Top 3: “Conto de Fraldas”, “O Sol” e “Sapo Antunes”

Princípio Ativo:
Um gole de pinga olelê olalá

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Para lançar seu CD e DVD ao vivo, a banda mineira Tianastácia convidou fãs e jornalistas para uma première no cinema mais legal de BH. Na entrada, o vocalista Podé ostentava um terninho desarrumado, tênis e boné. Visual rockstar impecável. No telão da sala lotada, músicos competentes tocam composições redondas, daquelas com refrões para serem cantados por multidões com os braços abertos em festivais de verão. Após elogios dos fãs e amigos, Podé volta para casa e liga a TV. CPM 22, Detonautas e Jota Quest. Uma dúvida martela sua cabeça: “Por quê não eu?!”

O Tianastácia tem dez anos de carreira, cinco discos e diversos hits que fazem a cabeça da moçada mineira, como “Cabrobró”, “Conto de Fraldas” e “Fora de Controle”. Ficaram em segundo lugar no Festival da Canção da Globo em 2000, assinaram com a EMI e tiveram o clipe de “Cabrobró” bem executado na MTV, mas acabaram sem a projeção nacional de bandas como Pato Fu e Jota Quest.

Este disco marca a volta da banda à EMI, após o período de independência do disco Na boca do sapo tem dente (2003). Contrastando com o visual modernoso, eles insistem em discursos de “indignação social” (“Favela”), regionalismos forçados (“Pingaoplim”, “Mestre Jonas”), e estereótipos tiozão-roqueiro (Podé se despede com a máxima “Paz, amor e rock’n roll”).

A condição de supergrupo local é confirmada neste Tianastácia ao vivo registro da apresentação no festival Pop Rock 2004, em BH. O público se esbalda nas canções mais pesadas, como “Limitado”, e nas baladas, como “O Sol”. O momento mais espetacular acontece quando a banda deixa o palco principal, atravessa um corredor no meio do povo, sobe em um palco menor no meio do estádio e tocam os sucessos “Rama”, “O Sol”, “Sanatório”, e a releitura de Bono Vox ficaria com inveja.

Podé (voz e violão), Maurinho (voz e violão), Beto (baixo), Antônio Julio (guitarra), Leozinho (guitarra) e Glauco (bateria) transmitem confiança nos refrões repetidos ao infinito e guitarras no talo, lembrando os Foo Fighters nos momentos mais empolgantes, como “Sapo Antunes”. No fim do show, os 40 mil presentes aplaudem entusiasmados a banda no telão e centenas de convidados aplaudem juntos no cinema.

Há dez anos as guitarras e refrões radiofônicos anunciam que Tianastácia tem potencial para vôos mais altos. Não que eles fariam muita diferença em meio a Detonautas e Barões Vermelhos, nem trariam muito sabor refrescante ao pop brasileiro. Mas nem que seja para consolar o Podé, há que se admitir que o Tianastácia tem competência para repetir seus momentos de U2 além das montanhas.

O sexteto quer espalhar paz, amor e rock´n roll

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