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Desapertem seus cintos...and do it.

30.08.06

por Daniel Oliveira

Vôo 93

(United 93, EUA / França / Reino Unido, 2006)

Dir.: Paul Greengrass
Elenco: Christian Clemenson, Trish Gates, Polly Adams, Cheyenne Jackson

Princípio Ativo:
Greengrass, sua câmera, tensão

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“Vôo 93” é uma ótima reconstituição e um bom filme. A encenação do diretor Paul Greengrass, para os eventos do vôo que não atingiu o alvo em 11 de setembro de 2001, cumpre seu objetivo primordial: colocar-nos no lugar dos passageiros que, muito provavelmente, foram os responsáveis pela queda do avião, frustrando o plano dos terroristas. É impossível assisti-lo e não se perguntar “o que eu teria feito ali? Como teria reagido?”.

Muito antes de Michael Moore e SoaD, eles tomaram consciência dos EUA (e do mundo) pós-11 de setembro. E foram obrigados a tomar a primeira decisão política frente à incompetência e à fragilidade da reação imediata do país aos ataques. É para demonstrar essas duas falhas que Greengrass arrisca o ritmo e o impacto de seu longa.

O cineasta conduz com maestria o início do filme, mostrando os detalhes da preparação do vôo, a chegada dos passageiros, dos tripulantes, as burocracias do aeroporto. Cenas que alimentam a tensão do público, já ciente do que vai acontecer. É suspense hitchcockiano puro. Mas depois desse bom início, “Vôo 93” gasta muito do seu tempo saltando entre controladores de vôo, salas de aeroporto e agências militares, lidando (mal) com as intempéries do dia.

Essas cenas atestam o despreparo das instituições norte-americanas e a desorientação geral parece dar origem a uma comédia de erros, tamanha a incompetência encenada. Mas se Greengrass se rende a uma das grandes cenas de seu filme – quando os militares assistem embasbacados, e segurando as lágrimas, ao segundo avião se chocar – ele perde um pouco seu foco narrativo principal, que é o vôo 93.

Se ele quer te colocar naquele avião, não seria mais interessante que os eventos do 11 de setembro se apresentassem à medida que os passageiros ficam sabendo, através dos telefonemas para os familiares? O impacto que essa notícia teria para eles não seria mais fundamental na decisão que encerra o filme do que o pula-pula de incompetências que, em certo ponto, fica cansativo?

É importante ressaltar que a câmera de Greengrass continua móvel e inquietante – apesar dele já ter feito melhor em “Domingo sangrento”. E o ótimo trabalho do elenco desconhecido não te deixa imaginar nenhum “astro hollywoodiano” no lugar deles. Pontos positivos de um filme positivo que, na tentativa de abraçar o máximo do conteúdo que aborda, perde a chance de se tornar antológico e incisivo como um “Platoon” ou (o próprio) “Domingo Sangrento”. O que, convenha-se, é parcialmente compreensível, em se tratando de uma ferida ainda recente.

Destination: Novo Mundo. Favor, esteja preparado para turbulências.

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