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Bom pra agora

05.09.06

por Luciana Dias

Lily Allen – Alright, Still

(EMI, 2006)

Top 3: “Smile”, “LDN” e “Friend Of Mine”.

Princípio Ativo:
Música que não exige.

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A primeira vez que escutei “Smile”, me desculpem o clichê, não deu pra conter o sorriso. Uma voz docinha contando super delicada que toda vez que ela vê o ex-namorado chorando, ela sorri. Ela até esboça um começo de culpa por se sentir tão bem com o sofrimento alheio, mas aí lembra de tudo que ele fez com ela e sorri de novo, numa ótima. Não que ela seja sádica, mas ela é bem humana. E supondo que você seja uma pessoa superior que não cultiva esse tipo de sentimento, sem problemas. Você canta junto a parte do “lalala”. É um pop tão delícia, tão descompromissado que não tem quem consiga passar pela Lily incólume.

Assim que estourou nas paradas do Reino Unido, ela foi muito comparada com Mike Skinner, do The Streets. Ambos contam histórias sobre a realidade da juventude britânica através de letras diretas e ácidas. A sonoridade não tem muito a ver, já que Lily tende mais pra um reggae-pop-sei lá e o The Streets tem uma veia mais claramente hip hop. Todo caso, os dois são contadores de história, e dos bons.

A grande razão de Lily Allen ter me pegado de jeito é a perfeição na mistura de reggae com hip hop e pop e dub. Outra coisa boa é a forma de narrar as histórias, de um jeito divertido e irônico, mas ironia sem ser em quantidades muito tóxicas, como acabou sendo o caso do The Streets em The Hardest Way To Make An Easy Living. As narrativas mundanas de Lily não pretendem ser épicas ou grandiosas. Elas são o que são.

E o melhor, Alright, Still é um álbum que não exige. Tô cansada de música de hipocondríacos existenciais e seus instrumentos musicais. Olha, rimou. Foi sem querer, juro. Mas é que de vez em quando você quer escutar música bem simples, de uma garota contando do cara chato que pede o telefone dela e não se toca, de como anda difícil arrumar grana pra pagar o aluguel, e pra piorar a situação ela pegou o namorado com outra, e teve a carteira de motorista apreendida. Mas ah, tá um dia de sol tão bonito lá fora que sinceramente não dá vontade de perder tempo se preocupando.

Por isso que o prazo de validade é curto. Não se tratam de músicas atemporais, evocativas, mas poxa, é verdadeiro e sincero. A própria Lilly sabe da fugacidade da coisa, e já disse que quando o hype acabar quer é ser olheira de gravadora. Mesmo depois de ter alfinetado mil e uma personalidades inglesas à la irmãos Gallagher, eu garanto que em suas músicas ela é despretensiosa. As canções podem até soar simples demais, ou datadas, e é por isso mesmo que eu recomendo que você vá atrás AGORA. Porque em se tratando de agora, a Lily Allen é o que há.

Acho que ela piscou pra você...

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