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Mais do mesmo. Mesmo

01.10.06

por Igor Costoli

Efeito Borboleta 2

(The Butterfly Effect 2, EUA, 2006)

Dir.: John Leonetti
Elenco: Erica Durance, Eric Lively, JR Bourne, Gina Holden e Lindsay Maxwell

Princípio Ativo:
A saudade do primeiro filme

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Existem duas maneiras de se fazer uma continuação picareta. A primeira, é fazer uma história que anteceda ou suceda a original. Esta é a forma mais segura. A segunda, é não fazer dessa forma, e é óbvio que isso é um grande risco. Efeito Borboleta 2 se enquadra nesta segunda categoria.

Após um acidente, Nick (Eric Lively) desenvolve a capacidade de voltar no tempo, e passa a modificar a história de modo a ajustar os problemas de sua vida. A exemplo de Evan (Ashton Kutcher) do original, por “problemas de sua vida” leia-se “amor da sua vida”. Julie (Erica Durance, a linda Lois Lane, de Smallville) é a principal razão das idas e vindas de Nick através do tempo.

A diferença é que no retorno ao presente ele não consegue atualizar suas memórias, ficando à mercê de realidades novas e desconhecidas. Uma maneira interessante de criar apelos e reviravoltas, mas sem muito sucesso. Outro ponto negativo é que os buracos desta história chamam atenção pros da outra, que haviam ficado eclipsados pela criatividade do roteiro e por uma atuação em que até os mais resistentes a Kutcher costumam dar o braço a torcer.

O sucesso do primeiro filme estava principalmente ancorado na criatividade da proposta. O fracasso desta continuação também. Você entra no cinema, e em 10 minutos de projeção você sabe como o filme termina. Nem mesmo a pequena reviravolta planejada para o final consegue se esconder, e aquela impressão de “fomos enganados” se instala. Como apostar em um filme que mesmo nos EUA foi lançado diretamente em DVD?

Perifericamente, bem escondido, está o único mérito do longa: levantar, mesmo que rapidamente, questões que ficam sem resposta. Através de quadros, fotos e fatos, fica no ar uma sensação de que certas coisas vão acontecer, independentemente das grandes decisões. Este é o único momento em que a continuação ganha do original, pois essas questões que passavam como falhas do princípio que movia o filme, agora aparecem como crítica à teoria do caos, já que não se pode provar que todas as mínimas decisões são capazes de mudar uma vida

Um exemplo disso: se o diretor John Leonetti (Mortal Kombat: Aniquilação) pudesse voltar no tempo e rodar o seu Efeito Borboleta antes que Eric Bress e J. Mackye Gruber o fizessem, teríamos uma grande mudança - jamais teria existido o bom primeiro filme - mas uma coisa permaneceria inalterada: a sensação de que uma boa idéia foi desperdiçada em um filme ruim.

"O Ashton fez parecer que era tão fácil..."

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