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Ela quer te conquistar

20.03.05

por Eugênio Marques

Kid Abelha - Pega Vida

(Universal, 2005)

Top 3: “Strip-tease”, “Por que eu não desisto de você”, “Peito aberto”

Princípio Ativo:
Sexo

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As idéias muito simples são difíceis de aceitar. Essa frase, da faixa-título, poderia ser usada para definir boa parte da carreira do Kid Abelha. Cria legítima do pop rock dos anos 80, o Kid Abelha (& Os Abóboras Selvagens) sempre foi aquele grupo que tocava exaustivamente nas rádios, tinha uma garota bonita de voz doce no microfone, sax como marca registrada e que exauria temas relacionados às pequenas coisas da vida em suas canções. A receita ideal para qualquer aspirante a intelectual tapar os ouvidos para o som do Kid.

Pura bobagem. Uma audição mais atenta e menos preguiçosa revela uma malícia escondida em cada métrica da fórmula pop que a dupla George Israel e Paula Toller (autora da maioria das músicas) parece acertar com precisão. Pega Vida, o primeiro disco de inéditas em quatro anos, não escapa desse conceito.

Depois de uma vitoriosa e exaustiva turnê com o show Acústico MTV, o trio carioca volta ao estúdio. Paula, única figura feminina de destaque entre as bandas que surgiram nos anos 80, se transforma mais uma vez em vários personagens. Se ela já foi louca ou gostou de ser cruel, aqui ela aparece mais atrevida do que nunca, ora como uma polígama que sugere a conciliação de neurônios e hormônios (Poligamia), ora como o sujeito de um divertido jogo de eu e ela e querer e precisar (Eutransoelatransa, cujo nome tem jeito de pornochanchada).

Sexo não é o único tema do CD. Pega Vida, a canção, é uma bonita balada sobre as coisas pequenas da vida, não por isso menos importantes (Não é tão complicado ter prazer em dar prazer, escreve Paula). Liderando a lista de potencias hits vêm as ótimas Por que eu não desisto de você, com jeito de trilha sonora de novela, e Peito aberto, jóia-pop em que Paula confessa que anda ouvindo umas baladas bregas. A única regravação do álbum fica por conta de Será que eu pus um grilo na sua cabeça?, canção de Guilherme Lamounier resgatada dos anos 70.

Somente bem perto do final é que a banda entrega seu maior trunfo: Strip-tease, a décima primeira faixa. A mesma garota de voz doce, o sax e um olhar interessante sobre a vida enquanto caem t-shirts, jeans e g-strings. Ótimas sacadas. Paul Ralphes, que toca baixo no CD, assina uma produção precisa e incorpora elementos novos ao som do Kid Abelha sem descaracterizá-lo. Eles nunca soaram tão rock e tão brit-pop, talvez reflexo do processo de composição inspirado pelo formato do Acústico.

Na faixa que abre o disco, Eu tou tentando, Paula exalta, em meio a várias cobranças, que está “tentando ser feliz”. Bom, pelo menos com este Pega Vida, ela conseguiu.

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