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Batata na boca, nada na cabeça

07.11.06

por Braulio Lorentz

Canto dos Malditos na Terra do Nunca – Canto dos Malditos na Terra do Nunca

(Warner, 2006)

Top 3: “Olha minha cara”, “A cor do seu sorriso” e “Descansar”.

Princípio Ativo:
Jabá, só pode

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Imagine a seguinte cena. Os integrantes de Moptop, Volver, Ramirez, Luxúria, Fresno, Mombojó e K-sis estão sentados em seus sofás aguardando o anúncio dos indicados na categoria revelação do VMB 2006, da MTV. Um a um, os concorrentes são apontados: NXZero, CSS, Forfun, Hateen e, o nome que nos interessa, Canto dos Malditos na Terra do Nunca.

O Hateen levou a estatueta pra casa, mas o que mais chamou minha atenção foi a inclusão da banda baiana de nome gigante, cujo CD acaba de ser lançado. Desde a formação do CMTN (abreviar é preciso), em 2003, cada ano subseqüente representa um disco: o primeiro EP veio em 2004, o segundo, que leva o nome da primeira canção de trabalho, “Olha minha cara”, saiu em 2005, e finalmente, a grande estréia, de 2006.

O CMTN é a banda mais verde que já ouvi em CD de grande gravadora. O produtor Carlos Eduardo Miranda (Virgulóides e Maria do Relento) tenta tirar algo do quinteto de Salvador, em vão. A vocalista e compositora Andréa Martins, em suas letras, pinta e borda em cima do nada, tal qual um Seinfeld que em vez de sitcom bom, faz música ruim.

É natural entender o desespero em busca de algo que faça lembrar Pitty e que arrebate quantidade parecida de fãs. A EMI lançou o Leela, a SonyBMG foi atrás do Luxúria e outras garotas ainda virão. Porém, nada justifica a contratação do CMTN. Basta ter um pouco de discernimento para entender que Andréa esconde sua incapacidade (de cantar, de liderar uma banda, de fazer música) por trás de seus óculos escuros e pose blasé.

Clipe em alta execução, música nas rádios, discos em lojas e apresentações em programas de TV propagam um som mal resolvido e ruim de doer. “A cor do seu sorriso” começa com a frase “Tá difícil esconder a dor”. “A falta” difunde o verso “Eu tive um amor, mas foi a dor que me ensinou a ser quem sou”. Em “Alguém”, a moça canta “Se quer saber do que eu consigo / É muito mais além da dor”. Noutros momentos, a dor fica de lado e o jeito é apelar pra palavrinha mágica “yeah”, caso de “Qualquer intenção”.

Não fosse a presença de Andréa, que canta como se estivesse engasgada, o Canto dos Malditos estaria onde deveria estar: bem longe do meu aparelho de som e sem formar um exército de fãs dispostos a defender prontamente a dona da pior dúzia de faixas desta década.

Andréa, Danilo (guitarrista e backing vocal bizarro em “E antes que eu esqueça de mim” e “Olha minha cara”), Helinho (guitarrista), David (baixista), Léo (baterista) se conheceram no mIRC, famoso programa de bate-papo. Como diz a Los Canos, banda também baiana, em uma de suas músicas: “Ser revoltado no mIRC é muito fácil”.

Antes de ler esse texto eles já estavam com essas caras. E agora?

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