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Dez razões para não chorar

11.11.06

por Braulio Lorentz

My Chemical Romance – The Black Parade

(Warner, 2006)

Top 3: “The End”, “Teenagers” e “Cancer”.

Princípio Ativo:
Morte

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O terceiro disco do My Chemical Romance é a obra prima daquele que é considerado o patinho feio do pop atual, o emo. Trata-se de um CD pueril, pasteurizado, afetado – muito, muito comovente e cativante. A banda de Nova Jérsei canta sobre mortes, caixões, quimioterapia e câncer. Vale tudo, o negócio é fazer chorar. Na contramão do berreiro, apontamos dez razões para não cair no pranto:

1) O disco começa com barulhos de equipamento médico hospitalar e um Gerard Way inspirado no vocal. Não há como ouvir a lindeza que é “The End” e não pensar em uma pessoa deitada numa maca, convidando o ouvinte para a trágica morte reportada no restante do disco. No entanto, mesmo com tamanha tristeza, ainda é muito cedo para lágrimas.

2) “Dead!” é a cara de um Queen emo que colocou o dedo na tomada e, claro, chorou como se tivesse morrido. Mas não é porque o eu-lírico morreu que nós não podemos berrar “La la la’s” junto com Way ao final da canção, meio que caindo na gargalhada.

3) O vocalista descoloriu seus cabelos e mudou o penteado. Cadê as franjas? Essa mudança pode desnortear seus seguidores, mas não os deprimir.

4) É um tanto estranho reverberar o disco American Idiot, lançado há somente dois anos pelo Green Day. O CD do trio californiano foi produzido pelo mesmo Rob Cavallo que trabalhou com o MCR neste The Black Parade. Mas não fique jururu com essa comparação, ambos os discos são formidáveis.

5) “The Shapest Lives” é a melhor faixa para rodas de pogo e parece com Fall Out Boy, quando eles se parecem com Hellacopters. Você bem sabe que não dá pra chorar e pogar ao mesmo tempo.

6) Pro bem e pro mal – principalmente pro mal –, há quem chame os rapazes do My Chemical Romance de sobrinhos do cantor norte-americano Meat Loaf. Isso não me fez chorar, muito pelo contrário.

7) “Cancer” tem a letra mais melancólica do ano. “Me ajude a pegar minhas coisas e me enterre”, “Vire-se pra lá, porque estou muito feio pra você me ver” e “Baby, estou agonizando por causa da quimioterapia” são três frases que fariam qualquer um lacrimejar. Porém, em seguida vem a divertidíssima e teatral “Mama”, que estraga todo o clima de choradeira. Para se ter uma idéia da festividade da música, Liza Minnelli interpreta a tal mama do título. A música é uma cartinha narrando o falecimento de seus filhos, interpretados pelo MCR.

8) “Teenagers” consegue a façanha de emular Offspring e ser melhor do que a maioria das coisas que o Weezer fez de seis anos pra cá. Letra séria e arranjo power pop espantam tudo o que é sombrio.

9) Chorar borra a maquiagem, pôxa.

10) Na faixa escondida do disco, “Blood”, Way brinca de imitar John Lennon. Uma graça.

Roupas e caras de enterro, por uma questão de coerência

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