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Temos um sócio no Clube dos Canalhas

22.11.06

por Igor Costoli

A Arte do Insulto

(Deckdisc, 2006)

Top 3: "Sabendo que posso morrer", "Estamos todos bêbados" e "Clube dos canalhas".

Princípio Ativo:
Carro movido a Álcool

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Esta resenha foi feita a partir de uma abordagem inovadora. De posse do novo álbum, com algumas boas referências da banda e pouco conhecimento sobre seu som, o caminho feito foi o inverso do usual: em vez de ouvir e depois ver o encarte, li o encarte primeiro e depois ouvi o cd. Reação: susto.

Hoje, é complicado pensar música sem pensar imagem. É uma coisa dos tempos modernos. Não apenas porque os clipes são o maior veículo de divulgação, mas por uma questão de postura necessária. Quando o pop domina o mundo, rock se torna ainda mais atitude que nunca. Quase como algo pra se afirmar a seu público: “somos a banda de vocês, não deles”. Algo natural no mundo da música.

Ipsis Literis, a composição das canções incomoda. Batia de frente com as fotos. Uma banda de caras maus, fazendo hard rock, com letras sobre bebida, arruaça e palavrões, com uma sintaxe meio adolescente? Algo destoava e muito. Previ um desastre completo quando coloquei o cd e... não. Funciona. Curiosamente, funciona.

Quando surgiu em 2001, com o álbum Santa Madre Cassino, o Matanza apareceu com um som que eles mesmos definiram como countrycore, a mistura da antiga música country americana com o hardcore. Também nas palavras de Jimmy (vocal), Donida (guitarra), China (baixo) e Fausto (bateria), as influências da banda centram-se na tríade Slayer/Johnny Cash/Reverend Horton Heat. Aparentemente, só poderia ser brincadeira. Esse é o ponto.

Em seu quarto álbum, A Arte do Insulto, o Matanza continua o que tem de melhor: a tiração de sarro. Não por acaso, as melhores são as mais engraçadas. Fazem um som bem melhor que o Ratos de Porão, mas não têm a qualidade da banda das Velhas Virgens. A comparação entre expoentes de estilos diferentes é perfeita pra descrever o som dos cariocas cachaceiros. Melhor ainda por citar duas bandas que fazem uso de semelhante temática alcoólica.

Mas levantar a bandeira da fanfarronice, apesar de divertido, pode limitar a banda. A impressão é que, talvez, com um pouco mais de ousadia este A Arte do Insulto pudesse ir mais longe. Boas faixas, como “Meio psicopata” ou “Ressaca sem fim” são divertidas, mas mesmo com um som forte, a boa presença e voz do vocalista, o Matanza não é o novo Raimundos.

Ainda assim, a banda seria capaz de me dar a resposta também de forma bem humorada. Faixas como “Sabendo que posso morrer” e “Eu não gosto de ninguém”, são tão zoadas quanto pertinentes. E com “Estamos todos bêbados” e “Clube dos canalhas”, fecharia a lista de músicas que levaria comigo pro bar numa sexta-feira à noite.

Cara de poucos amigos? Ah, se tivesse cerveja à mesa...

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