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Músicas de pelúcia

18.01.07

por Suellen Dias

Sufjan Stevens – The Avalanche

(Asthmatic Kitty – Importado, 2006)

Top 3: “The Perpetual Self...”, “The Mistress Witch from McClure (or, The Mind That Knows Itself)”, “Springfield, or Bobby Got a Shadfly Caught in his Hair”.

Princípio Ativo:
Sobras preciosas

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O santo

O norte-americano Sufjan Stevens lançou no fim de 2006 um box com cinco EP’s só de canções natalinas, é citado em música do Snow Patrol e declarou que pretendia escrever um álbum para cada um dos 50 estados unidos da América. O cara é de uma gravadora que tem o nome mais mimoso da indústria musical – a Asthmatic Kitty (ou “gatinho asmático”) e participou da trilha de Pequena Miss Sunshine. E como se não bastasse, tem o dom da multiplicação de obras primas: foi o que aconteceu quando, com o que sobrou de Illinoise, fez The Avalanche.

O milagre

Illinoise é o trabalho precedente que, a priori, seria lançado como álbum duplo. Sufjan e a gravadora cortaram algumas músicas e lançaram um CD simples. Felizmente, essas valiosas “sobras” foram conservadas e retrabalhadas, e assim, das costelas de Illinoise, fez-se The Avalanche.

O disco começa com uma canção homônima, e já em seus primeiros acordes, as marcas de Sufjan vão aparecendo de mansinho. A música parece ter sido feita com tanto cuidado que a gente tenta até ajeitar os ouvidos para não quebrar as ondas daquele som meio frágil, meio tímido, mas bonito por inteiro.

A pitada experimetal às vezes provoca arranhados nessa beleza. Com o passar das faixas, guitarras distorcidas fazem pensar numa versão amena da rebeldia do Sonic Youth. Algo parecido com a trilha sonora de uma invasão de alienígenas de pelúcia.

Com letras menos pessoais que em Illinoise, Sufjan tece uma teia de intertextualidades e referências. Haja google para pesquisar o significado de cada nome próprio que aparece. Saul Bellow, por exemplo, é um escritor canadense, Nobel de literatura em 76. Saul Alinsky foi um ativista social norte-americano, que aparece pra dançar em “The Perpetual Self or ‘What would Saul Alinsky do?’”.

As personagens ora dormem em estacionamentos, ora consertam os canos da cozinha e trocam as fronhas do travesseiro. As músicas contam momentos felizes e falam da tristeza.

Sufjan toca oboé, banjo, violão, guitarra, baixo, bateria, piano etc. O impressionante é a maneira como por trás de tanto profissionalismo transparece a imagem acústica do Sufjan que aparece vestido com asas nos shows, faz tricô e crochê, tem coleção de selos e já tentou organizar expedições em busca de pica-paus em extinção. Por mais batido que possa parecer, essa imagem de que falo é a de um homem sensível. E é justamente essa medida exata de sensibilidade que faz de The Avalanche algo tão especial.

Sufjan costuma usar asas em seus shows e contracenar com nuvens em suas fotos

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