Busca

»»

Cadastro



»» enviar

Assoprar e bater

29.01.07

por Braulio Lorentz

Tianastácia – Orange 7

(Independente, 2006)

Top 3: “O grito”, “Ao seu lado” e “Em primeiro lugar, amor”.

Princípio Ativo:
O amor

receite essa matéria para um amigo

Dizem que mineiro sempre cisma em passar a mão na cabeça de suas crias. Insiste em chamar Érika Machado de Érikinha, Henrique Portugal de Tonico e Rogério Flausino de Rogerinho, só pra citar alguns. Entendam, portanto, que preciso escolher as palavras certas neste texto sobre o sétimo disco do Tia. Sem a medida certa de cordialidade, a cena pode ficar emperrada. Escrever um texto opinativo sobre este lançamento nada excepcional do Tianastácia é como pisar em ovos. Fim da introdução. Vamos ao bate e assopra da resenha e do CD.

Muita banda sofre com a falta de vocalista...
O Tianastácia tem dois! Não há ironia alguma na exclamação. De fato, Maurinho e Podé são vocalistas acima da média até em faixas que soam como caçulas de Capital Inicial (“Tatuagem”) ou Skank (“O grito”).

Cada música do disco custa...
Apenas R$ 0,50! Mesmo com a falta de inspiração do quinteto, o ouvinte sempre sairá no lucro. Na primeira vez em que novo álbum foi vendido, no Pop Rock Brasil 2006, os fãs da banda tiveram que desembolsar uma quantia inimaginável para um CD com encarte, capinha de acrílico e canções produzidas por Marcelo Sussekind: R$ 5,00.

Orange 7 é uma montanha russa...
A alternância entre baladas e rockões fica clara desde a primeira orelhada. O itinerário, da primeira à décima música, é todo baseado no assopra e bate. A lentidão da radiofônica “Ao meu lado” (a “O sol” da vez) é rompida pela barulheira de “Garota de Ipanema” dos versos “Vou pra São Paulo vou pro Rio / De Led a Zeca Pagodinho” (?!?). A surra que nosso ouvido recebe logo é compensada pela balada “Em primeiro lugar, amor”, que é seguida do rockão “Luz do Sol” e assim por diante até a assoprada final, “Minha sorte”.

Existe uma notável coerência temática...
Da já citada “Em primeiro lugar, amor”, pode ser extraída a frase que é a essência dos tapas e beijos do CD. “Como pode uma menina me fazer tremer / E só falar bobagem”, canta Maurinho. Todas as faixas são sobre amor. Seja ele representado pela “garota que eu vou levar pra cama”, de “Garota de Ipanema”, ou pelo “rastro de beleza” d’“Essa menina”, que briga com “Tatuagem” pelo título de pior música do Tia de todos os tempos. A banda se esquece da indignação social, dos regionalismos forçados e da pegada festeira de outrora. Dentre o “Paz, amor e rock’n roll”, o Tianastácia sem dúvida fica com a opção do meio.

Os cinco caras de quem vou levar pescotapas

» leia/escreva comentários (9)