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15.01.07

por Rodrigo Campanella

Proibido Proibir

(Brasil, 2006)

Dir.: Jorge Durán
Elenco: Caio Blat, Alexandre Rodrigues, Maria Flor, Edyr Duqui, Raquel Pedras

Princípio Ativo:
geração 90

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Escola-cinema

Passando os olhos por alguma foto de ‘Proibido Proibir’, quando o filme ainda era apenas um anúncio, meu pensamento era ‘ah, aquele filme dos anos 60’. Foi meu erro de toda santa vez, antes de lembrar que o lugar do filme é o Rio atual. Por estranho que pareça, eu não estava tão enganado.

O sentimento que ‘Proibido’ retoma em Paulo, Leon e Letícia, o trio de protagonistas, está intimamente ligado ao imaginário (nosso) de como era ser jovem no Brasil dos anos 60 e 70 da ditadura. Não é um filme carcomido pelo tempo, mas até a simplicidade da cenografia, figurino e câmera em geral lembram algum lugar pré-‘padrão Globo de imagem’. Isso é bom.

Letícia é futura arquiteta, Paulo estuda Medicina entre os baseados e Leon faz Ciências Sociais. Cada escola demarca um modo de encarar o mundo e o encontro entre eles amplia esses fragmentos. Com cuidado, o roteiro não faz personagens pré-moldados por área profissional, mas consegue usar a imagem da universidade como trampolim para a vida.

Cinema-clube

O diretor Jorge Durán, autor do argumento original, vai buscar naquelas décadas (com direito a título de Caetano) o fio que conduz à juventude politizada e apartidária de hoje, filmada com admiração. O crítico Pedro Butcher comentava em debate que a câmera parece acariciar as personagens. E ela ainda voa elegante pela intimidade do grupo ou na realidade do lado de lá da porta de casa.

O casamento de um roteiro correto e a noção de que uma câmera de cinema rende melhor fazendo cinema resulta num filme maior que a soma simples de sinopse com boas imagens. Alcança a qualidade de criar um universo particular que sabe abrir suas portas para quem assiste da platéia.

Clube-televisão

Maria Flor precisa de muito arroz com feijão dramático para ser Letícia, mas isso se dilui no espaço que o filme cria. Tanto o Rio de Durán quanto o cotidiano dos universitários (casas, quartos, faculdades) soam como contraponto ao universo tele-diário de um “JN”, das páginas da vida ou de uma “Malhação”. É como ver o Rio sob olhares-irmãos aos de “Antônia”, de Tata Amaral, sobre a periferia paulista, ou de “O Passageiro”, no período adolescente ainda com espinhas.

Nesse outro olhar que Durán e Luís Abramo (na fotografia) oferecem, encampado por cada ator que entra na roda, “Proibido Proibir” não vira um filme nostálgico. Ele olha em frente, com a liberdade de não oferecer perspectivas mas a sensação de que é preciso correr em direção ao mar, mesmo que for para descobrir que o caminho certo é o de volta.

A vida é dura.

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