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Superindie amadurecido

07.02.07

por Suellen Dias

The Shins – Wincing The Night Away

(Subpop – Importado, 2007)

Top 3: “Sleeping Lessons”, “Australia” e “Turn on Me”.

Princípio Ativo:
Experiência

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Muita gente acha que se uma banda vendeu muitos discos e se tornou muito conhecida, ela automaticamente deixa de merecer o rotulozinho de indie – seja lá o que esse rótulo signifique. Se tiverem razão, pode-se dizer que os americanos do The Shins estão vivendo uma crise existencial. O terceiro álbum deles, Wincing the Night Away, foi alçado às paradas logo na semana de lançamento.

Além de fazer Justin Timberlake comer uma poeirinha, vender quase 120 mil cópias em sete dias depois da estréia significa dar uma pequena esnobada nos nobres (e ponha-se nobreza nisso) colegas da Subpop. Esta é a primeira vez que a gravadora do Nirvana (e do Cansei de Ser Sexy!) alcança números de venda tão altos na primeira semana de um álbum.

Felizmente, essa história de números e recordes não parece ser o que mais entusiasma James Mercer e seus quatro companheiros de banda. Depois de dez anos de trabalho, o antigo Flake Music quer crescer. Mas ao contrário de muitos de seus colegas de pódium na Billboard, os Shins parecem se importar mais com o amadurecimento musical do que com o hype.

A competência que sempre marcou o trabalho da banda continua presente em Wincing The Night Away. “Sleeping Lessons”, a faixa de abertura, traz um Mercer com uma voz bastante diferente, que surge de mansinho em meio à melodia que vai se consolidando e crescendo gradativamente, resultando na música mais forte do CD. Forte no sentido de expressiva, de te querer fazer dançar pela rua, cantando alto “You’re not obliged to swallon anything you despise, you despiiiiiise”.

“Australia”, segunda canção, é mais contida, mas ainda assim, muito alegre. Ideal pra ouvir de manhãzinha e sair de casa assoviando, com o bom humor garantido para o resto do dia. “Phantom Limb”, o primeiro single, também vai pelo caminho das músicas bem-humoradas, mas o excesso de uh’s e oh’s a deixa perto do enjoativo. “Spilt Needles”, passa dessa linha. A voz de Mercer se aproxima demais da de Tom Chaplin e isso ajuda a fazer desta faixa a mais chatinha do disco.

Do alto da experiência acumulada ao longo dessa década, os Shins conseguiram fazer um terceiro álbum maduro, com músicas boas, nas quais os defeitos são poucos e difíceis de serem encontrados. Mas assim como os defeitos, algo mais falta à totalidade do CD. Algo que impede que se encontrem músicas tão boas como “New Slang” (que está na trilha de “Hora de voltar”, de Zach Braff – fã declarado da banda) ou “Kissing the Lipless”. Talvez seja esse o preço maturidade: o acerto é garantido, mas acaba ficando a sombra do entusiasmo freado pelo medo de errar.

Se Zach Braff for indie ele dirá: "Ah! Conhecia Shins bem antes de fazerem sucesso"

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