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Superindie dark

09.02.07

por Isabel Furtado

Arcade Fire - Neon Bible

(Universal - Importado, 2007)

Top 3: “Ocean of Noise”, “Black Mirror”, “Intervention”.

Princípio Ativo:
Salvação

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Quando questionado a respeito do som do novo disco de sua banda, o vocalista Win Butler descreve-o como algo parecido com "ficar em frente ao oceano à noite", ou seja, uma mistura de medo do desconhecido e de prazer. Não há nada mais apurado do que descrever a música que os canadenses do Arcade Fire fazem como a mistura do sombrio e do belo.

Para que os fãs começassem a entrar no clima soturno de Neon Bible, a banda colocou no YouTube um bizarro vídeo de promoção com a lista das músicas. Depois disso, começou a correr na internet o endereço para o também soturno site neonbible.com. A página contém assustadoras imagens dos músicos vestindo máscaras e o ainda mais assustador vídeo da pastorinha louca brasileira. Estranhas imagens em preto e branco de melindrosas dançarinas de nado sincronizado estão por trás de um número de telefone que, quando discado dos EUA, torna possível a audição da faixa "Intervention".

Quando chegamos à página que disponibiliza "Black Mirror", o primeiro single do álbum, lembramos da parte da metáfora de Butler que fala de prazer. Lembramos que o Arcade Fire consegue equilibrar letras melancólicas, melodias singelas e arranjos carregados de emoção.

Adoro ouvir o segundo disco de uma banda que obteve estrondoso sucesso em sua estréia. É uma espera que muitas vezes resulta em total desapontamento, mas no caso do Arcade Fire, Neon Bible confirma a competência que o casal Win Butler e Régine Chassagne e companhia mostraram em Funeral como compositores. Com o lançamento, a banda consegue manter a carga de emoção do disco anterior e ainda melhorar a qualidade da produção.

O grupo deixou de lado a máxima progressiva de nomear músicas como partes de uma história, mas continua pé no riacho, com seus tambores e “la-la-las” epopéicos.

A maior diferença está na produção feita pela própria banda, um tiro certeiro. A gritaria dos backing vocals do disco anterior foi substituída por arranjos vocais mais cuidadosos e a voz de Butler aparece mais grave e madura. Foram utilizados inúmeros instrumentos e outros recursos sonoros como órgão de igreja, coral militar e orquestra Húngara completa.

Em Neon Bible, o Arcade Fire afirma sua identidade como um grupo que foge do lugar comum, seja na sua formação, que quase faz volume suficiente para formar uma comunidade hippie (são sete integrantes), ou na escolha de instrumentos pouco usuais. O resultado é uma bela orquestração que resulta em um som sem melhor descrição do que aquela feita pelo seu criador lá no começo deste texto.

Não serei eu, uma mera legenda, que irei explicar essa bizarrice aí, né?

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