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Espectador à beira de um ataque de nervos

28.02.05

por Igor Costoli

Feminices

(Brasil, 2004)

Direção: Domingos de Oliveira
Elenco: Priscilla Rozenbaum, Dedina Bernadelli, Clarice Niskier, Cacá Mourthé, Domingos de Oliveira

Princípio Ativo:
Mulheres em estado de ebulição

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O “freela Jack Ass” do Pílula Pop adverte: Feminices mostra com fidelidade e propriedade o universo feminino. O aviso vale para bem, para mal e para ambos os sexos. Mulheres, são vocês na tela: ao natural, sem silicone, com dúvidas e problemas reais. Homens, são elas na tela: suas neuras, dilemas, papos caóticos e cismas. Que todos saibam: ótimas atuações, grande condução, uma boa idéia e um quase documentário.

O “Quase” não é porém de minha parte: está lá no cartaz. A película de Domingos de Oliveira retrata a tarde de uma interminável reunião de quatro atrizes e sua intenção de escrever o roteiro de uma peça teatral - “Confissões de mulheres de 40”. Se o título não lhe soa estranho, você deve se lembrar da peça anterior à nova empreitada, “Confissões de mulheres de 30”. Eis que passados 10 anos, as intérpretes se reúnem para tentar ‘atualizar’ suas opiniões sobre o mundo e sobre a própria mulher.

O formato de Feminices é seu maior trunfo. No início, o diretor apresenta seu filme e, logo de cara, facilita o trabalho do espectador avisando o que vem pela frente. Mesmo assim, a iniciativa não come a pipoca de ninguém. Ela torna claros os detalhes que poderiam passar despercebidos (e que talvez passem mesmo assim). Lá pelo meio do filme, você não sabe mais o que é interpretação e o que é verdade, e descobre que isso é ótimo.

Diana (Priscilla Rozenbaum), Isabel (Dedina Bernardelli), Bárbara (Cacá Mourthé) e Eugênia (Clarice Niskier) estão com 40, mas poderiam ter 29 ou 17 anos, não faria diferença. Muita coisa muda com a idade, mas muitas “feminices” permanecem por sua inerência ao ‘ser mulher’. A narrativa possui vários picotes de falas, recortes que versam sobre vários temas, e tem como brinde a opinião masculina, também em pequenos depoimentos, recortando a história.

Fica avisado: mulheres, estejam preparadas pra se verem retratadas com fidelidade na tela grande, tenham ou não 40 anos, seja isso bom ou não. E os homens, estejam prontos até mesmo para a irritação (eu precisava desabafar: o início do filme é tão perfeito que me irritei com a caótica capacidade de conversação e a velocidade da fala feminina), mas permitam-se a ótima oportunidade de conhecer o mundo feminino através de uma lente que escapou ao machismo e ao feminismo.

“Espera só a gente começar falar ao mesmo tempo...”

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