Busca

»»

Cadastro



»» enviar

Crônicas de plástico

31.03.07

por Braulio Lorentz

Good Charlotte – Good Morning Revival

(SonyBMG, 2007)

Top 3: “The River”, “Keep Your Hands Off My Girl” e “Misery”.

Princípio Ativo:
música light

receite essa matéria para um amigo

Uma coisa é inegável: a capa do disco é lindona. O nome do CD é outra tetéia, devo confessar. E os elogios, meus caros, ficam por aqui mesmo. Culpa deste parágrafo que sequer esbarra na parte musical.

O melhor exemplo do excesso de descuido no quarto disco do Good Charlotte é a de-pri-men-te "All Black". Os compositores (a saber: os gêmeos Joel e Benji Madden, respectivamente vocalista e guitarrista, e o produtor Don Gilmore) só podem ter sentado num canto do estúdio e escrito a letra meia hora antes da gravação. "A noite em que nos conhecemos", "os bancos do Cadillac", as roupas de Johnny Cash e do eu-lírico: em resumo, tais coisas “todas pretas” são cantadas por Joel.

"Victims of love" funcionaria melhor com as T.A.T.U., o que em nenhuma hipótese pode ser interpretado como um elogio. "Where Would We Be Now" e “March On”, que fecha o petardo, são menos chorosas do que "Hold On" (hit do bom The Young and The Hopeless, de 2002), mas ainda são garantia de rios de lágrimas para os mais emo(tivos). "Where Would We Be Now" parece mais com "Clocks" do Coldplay, do que o primeiro sucesso da banda, “Lifestyles of the Rich and Famous”, lembra “Palpite” da Vanessa Rangel.

O termômetro só não congela quando o Good Charlotte segue os vestígios do que se ouviu no divertido disco anterior, The Chronicles of Life And Death, de 2004. “The River” e “Misery”, mesmo com temáticas tão sisudas quanto as do resto do novo álbum, emplacam sem que seja preciso muito esforço.

Mas de repente Joel brada: “We live in a beautiful place...”. Quase respondi: “Yes, we do/ Yes, we do”. Por falar em quase: “Beautiful Place” é daqueles rocks versão light que quase fazem cócegas no ouvido. Caso você não tenha notado, essa é a segunda referência ao Coldplay.

“Keep Your Hands Off my Girl” mantém o nível de britpopice nas altutas, ao ecoar Blur, Gorillaz ou qualquer outra coisa com o vocal de Damon Albarn. Os caras do Good Charlotte, fãs confessos de Beastie Boys e Green Day, nesta ocasião miraram nas canções com sotaque da terra da Rainha – tal qual seus compatriotas Killers e Scissor Sisters.

Pena que tenham errado feio e acertado no rock de plástico tão criticado pela banda. Joel de fato tem cacife para falar de “pessoas feitas de plástico”, como o faz em “Misery”. Afinal, ele namorava Hilary Duff. Mas pop rock pasteurizado por pop rock pasteurizado, o da Hilary ao menos tem cheirinho de morango.

"E aí, será que você volta? Tudo à minha volta, é triste!"

» leia/escreva comentários (4)