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Frases de Piano

11.09.04

por Braulio Lorentz

Keane - Hopes and Fears

(Island/Universal, 2004)

Top 3: “Somewhere only we know“, “Bend and Break“ e “Beshaped“.

Princípio Ativo:
Repetição e arrepios

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Uma música toca e você se arrepia. A “uma música“ em questão atende pelo nome de “Somewhere only we know“, e o “você“ sou eu, se é que o “você você“ me entende. Menos complicadas do que as sentenças anteriores. Essa é uma boa definição para as composições do álbum de estréia do trio inglês Keane. Tom Chaplin (vocalista e gordinho meio esquisito), Tim Oxley-Rice (pianista e baixista), Richard Hughes (baterista) e Dominic Scott (ex-guitarrista) são os responsáveis pelas onze românticas iguarias de Hopes and Fears.

Britânico e pop até a medula, irmão gêmeo do Travis para os precipitados, um bando de chorões para os detratores do gênero. Mais que isso: um bando de chorões que reclamariam por estarem ficando velhos e não terem ao menos em quê confiar. E eles reclamam. E eles tocam piano. E eles dispensam as guitarras (e o guitarrista). E eles usam repetições que podem emocionar você e eu. A frase “Estou ficando mais velho e preciso de algo para confiar“, de “Somewhere only we know“, exala sinceridade e sentimento pelos poros. Ela é tão simples e bela como as outras frases do CD, compostas tanto por palavras, quanto por acordes de piano.

Descobertos pelo selo Fierce Panda, o mesmo que catapultou o Coldplay para as paradas, as semelhanças com a banda liderada por Chris Martin não param por aí. O mesmo jeitão das letras é outra das características comuns entre as duas bandas. Os “ooooh´s“ da ótima “Bend and Break“, por exemplo, possuem um alto nível de carisma por milésimo de canção, tal qual o refrão do hit “Clocks”, do Coldplay. Se Martin derrete corações ao cantar “I was lost/ Oh Yeah“ em “In My Place”, Chaplin acaba por fazer o mesmo ao sussurrar palavras como as que figuram na balada-suspiro-final “Beshaped“: “But what do I know, what do I know? I know“.

E, de frase em frase, o ouvinte é embalado por versos com melodias delicadas. “The motion keeps my heart running” é repetida quatro vezes, bem no final da inquietante “Can’t Stop Now“. E eles continuam com as repetições: “We might as well, we might as well, we might as well“ brada o vocalista durante o catártico refrão de “We Might As Well Be Strangers“.

Amostras de que a repetição por vezes é necessária na tentativa de expressar uma série de emoções. Teclas de piano, arrepios e repetições, neste caso, estão a serviço da boa música.

Na foto eles estão tristinhos, mas podem te deixar mais tristinhos ainda

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