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Os penúltimos reis da Escócia

02.06.07

por Rodrigo Ortega

Travis - The Boy With No Name

(Sonybmg, 2007)

Top 3: “Closer”, “Big Chair”, “Battleships”.

Princípio Ativo:
Permanência

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Três motivos para ter a impressão que 1999 foi há 50 anos (e um para achar que foi ontem):

1. As Torres Gêmeas estavam de pé - Imagine uma era em que dizer “Fuck Bush” não bastava para ser revoltado e o mundo era governado por um coroa tarado e um senhor bêbado. Nem parece, mas isso foi real, antes de as malditas torres caírem e as coisas ficaram mais sérias.

2. Os Strokes não existiam - Nem eles nem uma centena de grupos com visual e som cuidadosamente desleixados. E calça apertada ainda era coisa de dupla sertaneja.

3. Chris Martin era feio – Em 1999, o Coldplay era só uma banda com alguns singles intimistas e um vocalista estranho em cujo caminhãozinho não cabia nem um décimo da areia de Gwyneth Paltrow.

(1. O Travis existia – Fran Healy, vocalista do Travis, já disputou o título de “o último heterossexual sensível” com Chris Martin. Em 1999, as baladas de The Man Who (típico disco-tão-bom-que-parece-coletânea) garantiam a vantagem a Healey. Mas foi Martin que conquistou o planeta (e Gwyneth Paltrow) com “Clocks” e aqueles lasers verdes.

Oito anos depois, Fran continua alheio a torres, calças apertadas e raios lasers, e sua maior preocupação ainda é descobrir porque sempre chove nele. Apesar do aspecto menos pálido que o irmão mais velho, o Boy With No Name entraria fácil num show com a identidade do Man Who.

“One night”, com jeito de cântico religioso, é Travis misturado com Travis (uma das músicas menos recomendadas como pegadinhas em cabras-cegas de todos os tempos). O primeiro single do disco, “Closer” entra no top 5 geral da banda. “Battleships” seria um hino tardio do britpop se não passasse uma pitada da conta do açúcar (leia-se vocais em falsete).

Às vezes, The Boy With No Name parece aqueles sonhos em que a pessoa tenta correr e não sai do lugar. “Selfish Jean” é dançante como o Travis nunca foi, mas em vez de lembrar a atual geração de “rock pra pistas”, lembra as faixas mais animadas dos conterrâneos do Belle and Sebastian. O peso de “Eyes Wide Open” vem do disco de estréia, Good Feeling (1997), enquanto o refrão grudento de “Big Chair” remete aos hits de Invisible Band (2001). Fazendo a média, sempre voltamos a The Man Who.

“New Amsterdan” é uma pérola do folk-pop perdida na onda do folk-esquisito. Em “My Eyes”, a melodia criativa com os acordes de sempre mostra a habilidade da banda para criar supresas do nada, servir banquete com arroz e feijão. Mesmo que o Travis seja um paciente autista perdido na ala dos hiperativos, seu passado que não passou ainda tem coisas tão interessantes quanto o futuro que o atropelou.)

Fran (em pé): exceto os cabelos grisalhos, nada mudou

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