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05.06.07

por Isabella Goulart

Premonições

(Premonition, Estados Unidos, 2007)

Dir.: Mennan Yapo
Elenco: Sandra Bullock, Julian McMahon, Shyann McClure, Courtney Taylor Burness, Nia Long

Princípio Ativo:
clichês morais bem dirigidos

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Entrar no cinema sem expectativa pode ser uma boa. Enquanto os últimos capítulos de “Homem Aranha” e “Piratas do Caribe” tumultuam metade das salas, “Premonições” estréia como aquele filme que faz pouco barulho na sala ao lado, e talvez por isso agrade.

O título é ruim. Por conta dele, o filme corre o risco de ser encarado pelo público como “outro com nome parecido”. É só procurar na prateleira da locadora: “Premonição”, “A Premonição”, “O Dom da Premonição”. Mas os três dias de abertura do longa em março nos EUA deixaram a distribuidora Sony Pictures contente. Ele conseguiu o terceiro lugar nas bilheterias e presenteou Sandra Bullock com o fim de semana de estréia mais rentável de sua carreira. No Brasil, deu o azar de entrar em cartaz no furor de Peter Parker e Jack Sparrow.

Aqui, Bullock é Linda Hanson, dona-de-casa que fica viúva quando o marido (Julian McMahon) sofre um acidente. Na manhã seguinte ele está vivo e episódios contraditórios passam a se alternar, sem sabermos se são reais ou alucinações. Mesmo com falhas de continuidade e alguns pequenos furos no roteiro, não ficamos perdidos na história. Mas, como o título, a idéia não é nada inovadora e traz os clichês usuais: a fé como resposta; a família como o bem maior; a sanidade da personagem que é colocada em dúvida.

Situar o espectador no ponto de vista de Linda é boa idéia – embora a overdose de Sandra Bullock na tela seja tamanha que os coadjuvantes parecem existir apenas pra que ela não fale sozinha. Enxergamos tudo de acordo com sua percepção das coisas, afinal nada indica que suas prováveis alucinações não correspondem à realidade. A direção de arte correta e a fotografia são capazes de simular um ambiente palpável como o do nosso mundo real. Mas a sensibilidade do diretor Mennan Yapo é que faz a diferença. Optando pelos planos fechados na primeira metade do filme, ele sabe o que mostrar nas imagens enquanto constrói a tensão. É graças à sua astúcia que entramos no jogo de uma história parecida com tantas outras, e somos levados.

“Premonições” é o tipo de cria da indústria que não está preocupada em te oferecer nada além do puro entretenimento. Uma idéia americana com lugares comuns, ancorada por uma estrela que já não brilha tanto em Hollywood. Ou seja, um filme comercial de porte médio entre um ou outro blockbuster megalomaníaco. Esses estereótipos são inegáveis, mas dentro deles esse suspense se sai melhor do que um genérico com “premonições” no nome. É um filme bem feito.

Sandra Bullock tenta enxergar os 110 minutos de filme que
ainda tem pela frente.

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