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O rei dos rainhas

01.07.07

por Alfredo Brant

Queens of the Stone Age – Era Vulgaris

(Universal, 2007)

Top 3: “Sick Sick Sick”, “3’s & 7’s” e “Make it Wit Chu”.

Princípio Ativo:
Sua majestade, o rock

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Elvis não morreu. Ele saiu da monótona Graceland em direção ao deserto californiano e montou um grupo de stoner rock para se divertir. A banda do rei chama-se “As Rainhas da Idade da Pedra” e por certos motivos ele teve que trocar seu nome por Josh. Sua majestade, porém, continua intacta.

Desde Songs for the Deaf, de 2002, Josh Homme é uma referência no rock. O carismático frontman do Queens of the Stone Age volta à cena com Era Vulgaris, obra construída com riffs secos e melodias quentes.

As semelhanças com Elvis são várias. O rosto arredondado, um olhar meio perdido, o topete e a pose de galã. Se o rei original era conhecido como “Elvis the Pelvis”, Josh também consegue ser sensual. No meio de um turbilhão de guitarras distorcidas, surge um groove quase sexual. Em resumo, a música de ambos é excitante.

Torna-se algo evidente em “Make it Wit Chu”, que já havia aparecido em outra versão nas “Dessert Sessions”, projeto paralelo de Josh. A canção está entre as melhores da banda. Sob uma base instrumental libidinosa que se prolonga por toda a música, Josh canta com uma deliciosa elegância.

Talvez para lembrar que além de amor e de ternura o rock é feito para excitar, a música seguinte é “3’s and 7’s”. Com guitarras rapidíssimas e um solo final maravilhoso, a música serviria de trilha sonora para carros rodando a 200 km/h num deserto escaldante. Vai na mesma linha (e consegue ser melhor) que “Go with the Flow”, de Songs for the Deaf.

O rock é também algo diabólico, e Josh sabe bem disso. Depois de “Feel Good Hit of the Summer”, a famosa faixa do disco Rated R (o segundo do Queens), formada apenas por nomes de drogas, Josh nos presenteia com a psicótica “Sick Sick Sick”. O primeiro single é uma espécie de punk minimalista de impressionante brutalidade. O vocalista dos Strokes, Julian Casablancas, participou da gravação, mas é quase impossível reconhecê-lo no meio do caos.

Explorando ainda mais as paisagens psicodélicas e as guitarras robóticas, Era Vulgaris retoma um pouco do espírito de Rated R. Riffs secos e repetitivos são o fundo para melodias pop, sejam elas sombrias ou ensolaradas. Enquanto “Suture up Your Future” é quase anestésica de tão harmônica, “Run Pig Run” é densa com sua bateria marcada e vocais fantasmagóricos.

Depois de Song for the Deaf, o Queens deixou de ser um grupo no sentido amplo do termo para se centrar na figura de Josh Homme. Se a mudança de direção funciona de maneira irregular no disco anterior, em “Era Vulgaris” a história é outra. O Queens já é maior do que o rótulo atoner rock que o caracteriza. Méritos para Josh Homme. Assim como um certo Elvis que um dia resolveu misturar blues e gospel para criar algo novo, ele busca novos caminhos e redefine o rock moderno. Josh é o rei.

Josh está no centro das atenções

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