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A vida simples (demais)

18.07.07

por Daniel Oliveira

Ela é a poderosa

(Georgia rule, EUA, 2007)

Dir.: Garry Marshall
Elenco: Lindsay Lohan, Jane Fonda, Felicity Huffman, Dermot Mulroney, Garrett Hedlund, Cary Elwes

Princípio Ativo:
The simple life para Lohan

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“Georgia rule” (ignoremos a tradução, por favor) queria ser...

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Três gerações de mulheres – Georgia (Fonda), Lilly (Huffman) e Rachel (Lohan) - destroçadas por mal-entendidos, homens fracos, ausentes e/ou abusivos e segredos não-ditos. Só que o roteirista Mark Andrus (Divinos segredos) não é Almodóvar e acha que a complexidade feminina se explica com traumas superficiais. Georgia é Georgia porque o casamento encerrou sua vida; Lilly é Lilly porque acha que a mãe não a ama; Rachel é Rachel porque a mãe é alcoólatra e o padrasto a molestou.

Os diálogos batidos fazem das mulheres histéricas – e só. Para completar, em “Georgia rule”, o interior norte-americano é o bom selvagem, a Califórnia é o mal pervertido. Certo e errado, mentira e verdade são pressupostos do roteiro de Andrus que passam longe da profundidade almodovariana. Com isso, o longa fica mais próximo de...

Em seu lugar
Apesar de o diretor Garry Marshall fazer da descrição de Idaho e dos coadjuvantes “caipiras” algo quase mais interessante que o trio de protagonistas (assim como a La Mancha do cineasta espanhol), a história se impõe. É Rachel, adolescente promíscua e irresponsável, buscando em Georgia, avó distante e disciplinadora, o apoio e a criação que a mãe Lilly não conseguiu lhe dar.

Troque mãe, no parágrafo acima, por irmã. Lohan por Diaz; Jane Fonda por Shirley Maclaine; e Felicity Huffman por Tony Collette. Você já viu esse filme antes e com mais refinamento: ele se chama “Em seu lugar”. Acrescente as músicas pop forçadas e deslocadas do tema, o excesso de Lindsay em Rachel e o desprezo dela pelos valores dos personagens interioranos e “Georgia Rule” acaba sendo, na verdade, um...

The simple life
de Lohan. Só que, ao contrário da amiga ex-detenta, Lindsay quer pagar de atriz e se cerca de talentos para enfeitar seu passeio debochado no interior. Rachel aprende a trabalhar, lavar pratos e até descobre que existe uma palavra no dicionário chamada respeito. Junte a isso os bichos (e seus donos) no consultório veterinário onde ela trabalha e você tem os esquetes cômicos chupados do reality show de Paris Hilton.

“Georgia rule” ainda abusa das seqüências “vexames alcoólatras para escandalizar provincianos” – mas Lohan só entende disso na vida real e a parte da “atuação convincente” ela deixa para Huffman. Por fim, o roteiro parece querer justificar a arrogância irresponsável de Rachel (ou Lindsay, ou Paris), além de oferecer Harlan, interpretado por um “ator” saído direto de uma propaganda de cueca da Calvin Klein para o deleite de Lohan...Melhor que férias na rehab.

Lindsay Lohan não apanhou na hora certa.

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