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Our Rock to Admire

01.08.07

por Suellen Dias

Interpol – Our Love to Admire

(EMI, 2007)

Top 3: “Pace is the trick”, “Pioneer to the Falls” e “Lighthouse”.

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Se as palavras relacionadas à idéia de mãe são, geralmente, as primeiras que o ser humano aprende a falar, aquelas inspiradas pelo amor devem ter sido as primeiras a serem cantadas. Em Our Love to Admire, os nova-iorquinos do Interpol se rendem à velha tradição de cantar o amor e mergulham no tema para explorá-lo em superfície, profundidade e nas tantas outras dimensões possíveis.

Em seu terceiro álbum, o quarteto deixa a Matador Records e migra para uma gravadora maior, a Capitol. A produção ficou por conta de Rich Costey, que já trabalhou com Muse e Franz Ferdinand.

Cada um dos álbuns do Interpol parece nos remeter a um lugar diferente, mas sempre de forma bem sutil. Turn On the Bright Lights, trabalho de estréia, poderia ser trilha de um passeio solitário por Nova York. Antics, de 2004, traz em seu encarte mensagens em código morse e sugere uma fuga rumo ao mar. Em uma das faixas, “Take you on a cruise”, o convite fica claro já no título.

Com Our Love to Admire, vamos parar no meio de uma savana na África. As imagens do CD, que também aparecem no site da banda, são cruas, violentas, ameaçadoras, cruéis. Apresentar essa perspectiva do amor como admirável pode ser uma grande ironia ou um grande desafio, mas é o que o Interpol parece fazer neste trabalho. Longe do romantismo evidente e fácil, as letras do vocalista Paul Banks não contam historinhas. Elas são um mosaico de metáforas que aludem disputas, escolhas, medos e as implacáveis leis da natureza, que se aplicam ao homem e à estranha lógica de seus relacionamentos.

A segurança quase arrogante com que a banda se afirma e se supera musicalmente se destaca em Our Love to Admire. A afirmação está principalmente em “Pioneer to the Falls”, faixa de abertura, e “Pace is the Trick”, em que aparece o melhor da sensualidade e suspense ligeiramente melancólicos, típicos ao Interpol. A superação aparece em “Wrecking Ball” e na belíssima “Lighthouse”, que encerram o álbum com efeitos e técnicas que testemunham o aperfeiçoamento com inovação dosada no estilo.

Entre tantos grupos que agradam porque surpreendem pela simplicidade e entusiasmo, este quarteto nova-iorquino se coloca à parte por ser um dos poucos que empinam o nariz, mas dão conta do recado. O Interpol faz sua música à altura da pose (e que bela pose!). “Our Rock to Admire”, eles poderiam dizer, porque a qualidade do que fazem é realmente digna da admiração que estes imodestos e competentes merecem.

Eles são posudos até no meio do mato

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