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Pulando a cerca

10.08.07

por Eugênio Marques

Paula Toller – soNós

(Warner, 2007)

Top 3: "À noite sonhei contigo", "?", "glass (I'm so brazilian)"

Princípio Ativo:
Expansão

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Quase dez anos depois de sua estréia solo, Paula Toller se aventura de novo. Da primeira vez, ela passeou por terreno bem distinto do Kid Abelha, ao regravar sambas de Noel Rosa e Assis Valente, e arriscar até repertório consagrado de gente tão diversa quanto Guns N’ Roses e Frank Sinatra. As únicas autorais eram a intimista "Derretendo Satélites" (em parceria com o ex-marido Herbert Vianna) e "Oito Anos", crônica de sua relação com o filho Gabriel, mais conhecida na regravação de Adriana Calcanhotto para seu projeto "Adriana Partimpim".

A predominância de regravações no primeiro disco dá espaço para um repertório mais autoral e numa busca por parceiros de outras nacionalidades. O canadense Jesse Harris (autor de "Don't know why", de Norah Jones) mune Paula de duas belas canções jazzísticas, "Long way from hone" e "If you won't". Já o surfista californiano Donavon Frankenreiter participa de "All over", com pegada de surf a la Ben Harper e Jack Johnson, composta em parceria com Paula. O argentino Kevin Johanssen, casado com uma brasileira, contribuiu com "Glass (I'm so brazilian)", e ainda tem sua "Anoche soñe contigo" vertida para o português por Paula. Ela ainda ganhou a autorização de Rufus Wainwright para fazer uma versão de "Vicious world", citando Maysa e Kid Abelha.

As inéditas em português também são assinadas por autores diversos. Erasmo Carlos presenteou Paula com "?", que abre o disco, com aguçada sensibilidade feminina (“acho que sou fruto da imaginação / a imagem viva da ilusão / falso faz-de-conta do que seja uma mulher”).

Dado Villa-Lobos, para quem Paula já havia escrito algumas letras, aparece em "Rústica" e "Pane de Maravilha". A primeira é a letra mais bonita de Paula Toller, um leve upgrade de sua carreira como letrista no Kid Abelha (“sou aquela que se entrosa com todos os meninos / vigorosa e desprendida nas bandas da vida / no feminino tímida / do masculino íntima / sou de improviso lúbrica / de propósito rústica”). A segunda tem incidental de "Cidade Maravilhosa" e se junta a "Eu quero ir pra rua" como o resistente amor a um Rio de Janeiro tão inseguro.

Nas rádios, "Meu amor se mudou pra lua" é a mais Kid Abelha de todas elas. As outras canções são fruto da parceria de Paula com o produtor galês Paul Ralphes, Caio Fonseca e Coringa, baixista da banda de Armandinho. Desse grupo, a mais interessante delas é "Barcelona 16", outra crônica sobre a maternidade. Dessa vez, a relação é com a independência do filho (“eu não sabia que existia esse outro parto, de partir / eu não sabia que teria que ter você pela segunda vez”).

Uma ótima experiência para Paula Toller, cuja ousadia no Kid Abelha acaba limitada graças à longa e estável parceria com George Israel, sem grandes mudanças ou inovações. Uma pulada de cerca autoral sempre cai bem.

O gosto do sucesso é muito bom. Mas o do cabelo... Hmmm!

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