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Partida de futebol chinfrim no aeroporto

26.09.04

por Daniel Oliveira

O Terminal

(The Terminal - EUA, 2004)

Direção: Steven Spielberg
Elenco: Tom Hanks, Catherine Zeta Jones, Stanley Tucci, Diego Luna.

Princípio Ativo:
Atuação de Tom Hanks

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Em time ganhando, não se mexe. Ditado batido, certinho e pouco criativo, assim como o novo filme de Steven Spielberg. Em “O Terminal”, o diretor deixa Tom Hanks nove meses preso num aeroporto (esperando-o, talvez?), e ele se esquece de comparecer.

Se a idéia de um refugiado do leste europeu preso indefinidamente no principal aeroporto dos EUA já precisaria de um roteiro muito bem amarrado para segurar duas horas de filme, em tempos pós-11-de-setembro, a tarefa fica ainda mais difícil. Mesmo baseado em eventos reais acontecidos com o iraniano Merhan Karimi Nasseri na França, “O Terminal” não convence o espectador. O roteiro de Jeff Nathanson e Sacha Gervasi parece ter sido feito às pressas, pensando somente no personagem de Viktor Navorski (Tom Hanks) e nada mais.

Quase tudo o que funciona no filme é devido a um bom personagem interpretado por um ótimo ator. Nos primeiros quinze minutos de filme, Hanks ressuscita seu talento cômico - depois de vários papéis dramáticos - auxiliado por Spielberg, em seu único momento inspirado no filme, construindo uma pequena seqüência de comédia muda, em que ninguém se comunica com ninguém. E se o protagonista continua a explorar ao máximo suas gags, o resto do filme parece ter se esquecido de trabalhar.

Spielberg apresenta uma direção burocrática e preguiçosa, no que parece ter carregado sua equipe. Trilha, edição e fotografia, salvo alguns poucos momentos, não passam do arroz-com-feijão. Catherine Zeta-Jones, então, está pior do que nunca - nem sua beleza a salva da mediocridade. O macguffin (usando um termo hitchcockiano) da lata de amendoins mostra que os roteiristas tiveram um lampejo de estória, mas não a desenvolveram. O roteiro é tão ruim que um zelador (desde já, um dos personagens mais chatos do ano) tenta parar um avião com um esfregão(!?).

A verdade é que todas as seqüências sem Hanks em cena não funcionam, principalmente porque os diálogos dos outros personagens são tenebrosos - a cena em que os personagens de Jones e Stanley Tucci conversam sobre Navorski é tão mal escrita que seu final deixa os espectadores constrangidos, numa fala que remete ao sentimentalismo de Olga.

Ao final, pode-se não ficar tão decepcionado, já que Hanks arranca boas gargalhadas, explorando o absurdo, a inocência e a obstinação de seu personagem. Só que no cinema, assim como no futebol, um jogador sozinho não consegue levar o time inteiro nas costas. Para quem foi ver o time completo em campo, a partida fica com gosto de 1X1 preguiçoso, e se o slogan do filme é esperar, o espectador fica preso num trocadilho infame.

Tom Hanks perdido em “Terminal”

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