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Com a Bola Toda

14.10.04

por Rodrigo Campanella

Com a Bola Toda

(Dodgeball: A True Underdog Story, Estados Unidos, 2004)

Direção: Rawson Marshall Thurber
Elenco: Ben Stiller, Vince Vaughn, Christine Taylor, Rip Torn

Princípio Ativo:
O cara legal de Vince Vaughn

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Talvez você entre no cinema esperando muito pouco do filme, embalado pelas críticas negativas de toda a imprensa. Então, conforme os primeiros vinte minutos passam, você começa a achar que, olha só, o filme não é tão ruim assim. Sua paródia dos filmes esportivos, em especial dos clichês hollywoodianos de superação (o desânimo inicial, a reunião onde todos se unem, a descoberta de que são completamente inaptos para o esporte) é bem razoável. Às vezes parece realmente que se está assistindo um desses filmes, mas com engrenagens rodando estranho.

Você continua a assistir e logo vem o treinamento do time. E então, gargalhando (as piadas são batidas, mas a seqüência é bem eficaz), fica difícil entender porque todo mundo falou tão mal. E, de repente, acaba. No máximo uns 40 minutos de filme se passaram e você já pode sair do cinema sem correr o risco de perder nada. “Ah, então é por isso”, você finalmente entende no fim da sessão, de cabeça meio baixa, pensando.

A tal da bola do título é a de queimada. Ou melhor, as bolas. No início da partida, todas ficam no centro da quadra. O jogador que chegar primeiro, leva. A historinha de fundo que serve de pretexto para a queimada entrar em cena é a disputa de duas academias.

De um lado, a Globo Gym, comandada pelo neurótico anabolizado White Goodman (Bem Stiller). Do outro, a Average Joe´s, comandada pelo ‘homem comum’ Peter La Fleur. De um lado, os viciados na estética. Do outro, os ‘homens comuns’. Para salvar a academia da ganância de White, os alunos de La Fleur vão se unir para ganhar o prêmio de um torneio de queimada em Las Vegas, e pagar as dívidas do negócio.

É mais do mesmo de qualquer dos filmes esportivos que parodia, mas a intenção é pisar e repisar nos clichês mesmo. Só que tudo acaba no epílogo. A impressão é que, olhando para o começo do que tinha escrito, o diretor/roteirista Rawson Marshall achou que já tinha humor o bastante para um filme inteiro. Não tinha. Ao chegar para o torneio principal, o que se tem é uma seqüência chata de partidas cortadas em ritmo pós-mtv. Não passam dois minutos e cada jogo já acabou. Mas o engraçado não era ser um filme ‘sério’ sobre queimada?

Ben Stiller aqui está abaixo da média, exagerando na caricatura, sem acertar o ponto. Vince Vaughn assume o uniforme de Peter La Fleur com uma calma e elegância (sim, elegância) invejáveis. Sobre os outros, difícil falar: quando o diretor resolveu terminar seu roteiro antes da hora, esqueceu também que tinha que tinha no mínimo outros 4 personagens para desenvolver.

“Até que enfim acabou esse filme! Estamos livres!”

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