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Pardos e escaldados

22.11.07

por Igor Costoli

Os Donos da Noite

(We Own the Night, EUA, 2007)

Dir.: James Gray
Elenco: Joaquin Phoenix, Mark Wahlberg, Robert Duvall, Eva Mendes

Princípio Ativo:
Limpadores de pára-brisa

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Bobby (Phoenix) é o gerente da boate russa El Caribe, no Brooklyn. Ele usa o sobrenome da mãe, Green, porque fez questão de seguir um caminho diferente de sua família. Essa decisão garantiu sua sobrevivência e imunidade no meio em que trabalha, rodeado de traficantes. O irmão, Joseph Grusinsky (Walhberg), é capitão da polícia, assim como o pai, Burt (Duvall).

Seria injusto fazer uma certa comparação. Por exemplo, Eva Mendes pode ser bem mais bonita, mas não é Vera Farmiga.

Avaliando com frieza, não era pra “Donos da Noite” dar certo. E na verdade, se você não for ao cinema disposto a comprar a idéia, não dá mesmo. A história de dois irmãos, colocados em lados opostos da lei (um policial e outro envolvido com traficantes), é um argumento difícil. Traficantes, tal como os vemos no cinema, não ficariam sem fazer essa conexão. Mas, aceito isto, a coisa muda um pouco de figura.

Mark Wahlberg está bem, mas não é Matt Damon.

O roteiro do diretor James Gray, que começa meio capenga, aos poucos vai mostrando serviço. “Donos da Noite” é uma história dividida em dois gêneros, o policial e o drama, e aí está metade da sua alma. Quando a polícia invade o El Caribe, a atmosfera que ocupa a cena é a de um longa-metragem de ação, e você continua tenso, sem perceber que a tensão já é outra, e Bobby e Joseph trocam socos por um diálogo que só gente que se conhece muito poderia encenar. E a atmosfera do drama permanece, até você se acostumar com ela, quando subitamente é convidado a se lembrar que “Donos” é um filme policial.

Phoenix não é DiCaprio, mas bem poderia ser.

O interesse na história também se sustenta no peso das personagens e, nesse caso, Bobby é a outra metade da alma do negócio. Sua relação com a família, e o momento em que sua vida se divide, momento em que queda e redenção parecem a mesma coisa. É a expressão (ma)dura de Phoenix que dá credibilidade às aventuras insensatas de Bobby na transição entre os dois mundos.

James Gray não é Martin Scorsese. O que nem chega a ser ruim.

E se o filme já superou a desconfiança inicial, em cenas como a invasão do galpão ou a simplesmente maravilhosa seqüência de perseguição na chuva, são essas mesmas partes que, no ato final, deixam aquela sensação de ‘eu queria mais’. A recorrente quebra de expectativa faz o filme parecer fraturado - e talvez nisso resida um pouco de estranhamento que a projeção causa. Se por vezes esse estranhamento causa incômodo, em outras chega a ser interessante, como prova de que Gray fez exatamente o filme que ele queria fazer.

Donos da Noite não é Os Infiltrados. E que bom que não.

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Dália Negra

frap, frap, frap, frap...

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