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A lona de Seinfeld voltou à cidade

08.12.07

por Rodrigo Campanella

Bee Movie - A História de uma Abelha

(EUA, 2007)

Dir.: Steve Hickner e Simon J. Smith
Elenco (dublagem): Jerry Seinfeld/Guilherme Briggs , Renée Zellweger/Fernanda Fernandes , Matthew Broderick/Guilherme Moreno

Princípio Ativo:
ferrão sem ponta

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Uma pirueta,

A abelhuda animação não é “o novo desenho da Dreamworks”, que tem Shrek e Madagascar no portfólio. Mesmo sendo produzido pelo estúdio, “Bee Movie” é “a animação de Jerry Seinfeld”, como lembram todas as reportagens sobre o filme, e não são poucas. Aparentemente, jornalistas dão muita importância para o fato, talvez mais do que o público.

Duas piruetas,

“Seinfeld”, a série, caiu de pára-quedas na tv com a precisão de um relógio atômico. O programa ‘sobre o nada’ com quatro amigos girando em torno do apartamento do protagonista-titular era a descrição risonha de um mundo ficando cínico, perdido - mas ainda bem-humorado. Os anos 80 acabaram e no início dos 90 alguém sumiu com todos os manuais de instrução anteriores. As risadas da série eram topadas numa vida faça-você-mesmo.

Jerry Seinfeld sempre fez piadas sobre e para os neuróticos urbanóides de sua vila, uma tal Nova Iorque. Se aqui do Brasil nós conseguimos rir disso é porque a cultura americana já faz parte da nossa mistura. Já o quanto o estilo de vida dos Estados Unidos consegue manter sua potência de trator cultural por ser capaz de fazer troça de si mesmo, é algo que merece ser pensado.

Bravo,

“Bee”, suposta animação infantil – animais, conflito adolescente, visual colorido e afofado – é o que Seinfeld já fez, em embalagem remodelada que, por sua vez, modifica o produto. A abelha Barry, ao descobrir que os humanos tomam à força o suado mel das colméias, vai atrás dos bandidos: processando numa corte federal. Estão lá sátiras ao drama de tribunal, aos roteiros de amor impossível e ao mundo profissional como indústria de profissionais em lata. A criançada provavelmente não vai pegar nada, mas é uma versão divertida do bem-domesticado humor americano.

Bravo?

Seinfeld aqui é produtor, dublador e escritor, trazendo dois colaboradores da série para a escrita. Mas sua pirueta termina parecendo uma cambalhota que não sai do lugar, apesar do visual agradável, os trocadilhos divertidos e a fuga ao melodrama que ainda é o esqueleto da outra gigante da animação, a Pixar.

Porém, o mais interessante, sua cambalhota aparentemente inofensiva acaba afirmando que talvez a liberdade só seja válida para quem realmente a deseje ou mereça, e que a obrigação ao trabalho burro é eficiente para que a sociedade (abelhuda ou humana) não se torne um bando de vagabundos. Verdades largamente aceitas, ainda que ninguém as comente alto. Como aquela que diz que vai ser artista quem não gosta muito de trabalho.

Mais pílulas:
Happy Feet
Ratatouille
Ligeiramente grávidos
Superbad – É hoje

Liberdade para (quem?) voar

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