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O despertar da bela no mundo das feras ou Walt Disney vs. remix ‘07

15.12.07

por Daniel Oliveira

Encantada

(Enchanted, EUA, 2007)

Dir.: Kevin Lima
Elenco: Amy Adams, Patrick Dempsey, James Marsden, Susan Sarandon, Rachel Covey, Timothy Spall, Idina Menzel

Princípio Ativo:
fantasia

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Assistir a “Encantada” dublado deveria ser a minha boa ação de final de ano – apesar de eu não acreditar muito em significados especiais de final de ano, e menos ainda em boas ações decorrentes dele. Enfim: depois de explicar a minha irmã e sua coleguinha que não se conversa durante o filme nem pode ficar pedindo para ir ao banheiro toda hora, eu estava pronto para mais um filme de princesa que tentaria fazer jus ao que Walt Disney fez 60 anos atrás - sem conseguir.

Uma hora e meia depois...

Irmã e coleguinha sobem na cadeira e batem o pé no chão no clímax pré-beijo final entre a princesa e seu ‘príncipe’. O filme funcionou.

Uma hora antes...

E não só para elas. Após começar como uma típica animação 2D da Disney, “Encantada” deixa de ser um coletivo sarcástico dos clichês de desenhos clássicos para se tornar um filme de verdade, com personagens e roteiro muito bem pensados. Grande parte disso se deve a Amy Adams. Assumindo a persona de Giselle, mandada pela bruxa má (Sarandon) para Nova Iorque no dia de seu casamento com o príncipe Edward (Marsden), a performance da atriz se destaca mesmo com a dublagem.

Assim como em “Retratos de família”, sua personagem soa superficial como uma folha de papel no início – com suas expressões corporais e sorrisos exagerados, Giselle é uma overdose ambulante de açúcar, que assobia e canta para pombos, ratos e baratas a ajudarem na limpeza. E Adams consegue tornar real sua transformação, retratando no final uma mulher que descobre sentimentos como dor e raiva.

O diretor Kevin Lima (Tarzan) também fez sua lição de casa. “Encantada” reverencia os clássicos Branca de neve (a maçã envenenada), Cinderela (o sapato) e Bela adormecida (o beijo) – mas encontra um equilíbrio fino entre homenagear e tirar sarro deles. Nisso, Lima é ajudado pelo roteiro de Bill Kelly e suas ótimas sacadas, como um inteligente esquilo bicho-engraçadinho-hiperativo e o egocentrismo do tapado príncipe. Completam a história o advogado Robert (Dempsey) e sua filha Morgan. Com eles, Kelly traz o público para dentro do filme - respectivamente, o adulto incrédulo diante de Giselle e seus números musicais; e a criança que acredita no conto de fadas da moça.

Ao homenagear Walt Disney sem perder um mínimo de senso crítico e sem ignorar que o tempo passou, “Encantada” funciona como filme e não uma tentativa malfadada de cópia. Mas não se engane com o ‘senso crítico’: o longa não é nenhum “Shrek” e, ao fim, a magia da Cinderela vence o cinismo do mundo real. E se você, algum dia, já gostou de Cinderela & cia., provavelmente se divertirá com esse aqui também.

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