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Pergunte ao pó

02.01.08

por Mariana Souto

A Bússola de Ouro

(The golden compass, EUA/Reino Unido, 2007)

Dir.: Chris Weitz
Elenco: Dakota Blue Richards, Nicole Kidman, Daniel Craig, Eva Green, Freddie Highmore (voz), Ian McKellen (voz), Sam Elliot, Christopher Lee

Princípio Ativo:

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Levando em conta tamanha polêmica, “A Bússola de Ouro” até que é bem inofensivo. Nos EUA, a Liga dos Católicos fez um alerta para os fiéis contra o filme, com medo de que o longa levasse as pessoas a ler seu livro de origem, este sim com um potencial mais questionador. O filme em si, adaptado e reformulado, é praticamente inócuo.

Admitindo a existência de mundos paralelos e criaturas fantásticas, “A Bússola de Ouro”, primeira parte da trilogia Fronteiras do Universo, do autor Philip Pullman, centra-se em Lyra, garota que possui o precioso objeto do título e que parte em busca de crianças raptadas sob o aval do Magistério (a instituição que serve de carapuça para a Igreja). No meio disso tudo está o Pó - elemento muito citado, mas não definido, pelo roteiro. Ainda que se trate de algo misterioso, acabou ficando abstrato demais para quem não participa daquele universo.

São muitos, aliás, os elementos jogados e mal explicados na trama - falha típica da adaptação de um livro de aventura com muito conteúdo para um filme de 113 minutos. Muita coisa acontece, muitos personagens aparecem e o espectador tenta acompanhar a correria. O desfecho – aberto, já que a história se prolonga em outros episódios – acontece de forma um tanto abrupta.

Para um filme infantil, “A Bússola” tem momentos pesados e adultos. As discussões na universidade, as relações políticas, o Magistério, o Pó e os mundos paralelos soam um pouco complexos para as crianças menores, especialmente devido à forma e rapidez com que são abordados. O Lorde Asriel (Craig) dá o ar da graça em minutinhos no filme e apenas sugere sua importância e relação conturbada com Lyra, que se espera serem aprofundadas nos próximos capítulos. Os dimons – animaizinhos que acompanham os humanos e carregam suas almas – não são bem explicados, mas ao menos são bem feitos e fofinhos, grande atrativo para a garotada.

Os efeitos, fotografia e direção de arte são notáveis, assim como a atuação da pequena Lyra (Dakota Blue Richards) e de Marisa Coulter (Kidman). No fim das contas, “A Bússola de Ouro” seria um entretenimento bastante razoável para as férias, não fosse a comparação esmagadora com os filmes do gênero (Senhor dos Anéis, As Crônicas de Narnia, Harry Potter). Como ponto positivo, desperta o interesse para a leitura do livro, este provavelmente mais detalhado, aprofundado e dotado de uma visão crítica de mundo, como forma de complementar o filme.

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