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Semente que faz brotar constrangimento

05.02.08

por Lucas Galvão

Armandinho - Semente

(Universal, 2008)

Top 3: "Semente", "Onda do Arraial" e "Menina Que Me Encabrerô".

Princípio Ativo:
Reggaes genéricos

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Depois de estourar com o já calejado hit “Desenho de Deus”, o regueiro gaúcho Armandinho volta com seu primeiro disco de inéditas por uma grande gravadora. Não é novidade que o CD anterior, Ao Vivo, foi feito na correria para aproveitar o restinho do sucesso das músicas que embalaram o verão de 2005. Semente, ao contrário dos dois trabalhos independentes anteriores mostra uma produção mais bem cuidada e uma maior preocupação com os arranjos. Artista e trabalho, porém, continuam pecando pela mesma obviedade e linearidade de antes.

Assim como todo um naipe de nomes do reggae, já dá pra adivinhar com antecedência a linha das músicas e sobretudo das letras, focadas na temática praieira, romântica, natureba e maconheira. Mais que previsíveis, algumas delas se mostram especialmente pobres, com direito a trechos como “Desde o dia em que eu olhei pra tu, logo vi que era I love you”, numa tentativa de brincar com o inglês que lembra “I Saw You Saying” dos Raimundos. Merece destaque também “Eu juro”, com direito a declaração romântica em off e a frase final, sem qualquer música de fundo: “Eu sinto a falta do seu sexo”. Dispensável, no mínimo.

O disco basicamente oscila entre dois tipos genéricos de músicas: as mais animadas, com mais guitarras e temáticas mais festivas e praieiras, e as mais calmas, com violões que flertam com a MPB e temáticas que remetem ao romance de "Desenho de Deus". Com poucas exceções, as faixas esbarram nessa generalização e remetem umas às outras, o que faz com que se escute três músicas pensando ouvir a mesma. Mesmo as mais ousadas, como “Menina que me Encabrerô”, com algo de ska, não conseguem salvar o disco da sensação de que é algo que já foi dito antes. E melhor, diga-se de passagem.

A produção e os arranjos de qualidade podem até fazer com que o álbum se mostre aceitável, mas não escondem a verdade de que Armandinho parece um cara pronto para consumo, mas que tem pouco a dizer ou somar. E o disco termina com a sensação de que a semente em questão seria mais como uma promessa falha de amadurecimento do que propriamente algo a germinar.

Armandinho é até mais bonitinho neste ângulo (de longe)

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