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Faroeste Puro Sangue vs. 2007

25.02.08

por Mariana Souto

Os indomáveis

(3:10 to Yuma, EUA, 2007)

Dir.: James Mangold
Elenco: Christian Bale, Russell Crowe, Ben Foster, Logan Lerman, Dallas Roberts, Peter Fonda

Princípio Ativo:
a lábia mais rápida do oeste

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Só pela recuperação de um gênero importante que anda perdido, “Os Indomáveis” merece ser visto. Mas acima de classificações: western, refilmagem ou o que for, é um filme bom. Muito bom.

Embora finque raízes firmes no faroeste clássico, o longa de James Mangold é bem modernizado tecnicamente e revela algo de contemporâneo ali. Há mais câmera na mão, mais angulações e movimentos inesperados, mais sangue e efeitos do que geralmente se via nos exemplares do bang-bang. A temática, contudo, continua forte na honra e na coragem.

É um filme predominantemente masculino, de relação pai-filho (Bale, Lerman), mentor-pupilo (Crowe, Foster), bandido-mocinho (Crowe, Bale). Não há concessões a romances bobos, o que demonstra a coragem do próprio filme. A questão central é outra e não há distrações ou criação de histórias paralelas para ganhar também o público feminino. E não há necessidade disso: o conteúdo ali, no fundo, é universal, humano.

Há um jogo entre a fama e a expectativa, já que o nome do fora-da-lei Ben Wade sempre o precede e só a sua menção já faz as pessoas tremerem. Do outro lado, está a grandeza do homem comum, que constrói seu próprio nome e seus feitos aos poucos, com muito esforço. Otimista, o filme aposta no extraordinário que existe em cada homem - não sem uma ponta de ambigüidade, mostrando que as coisas nem sempre cabem no bom X mau e que as pessoas surpreendem.

Como bom faroeste, não faltam os confrontos, boas cenas de tiroteio, mas também momentos de calmaria na típica paisagem do Arizona e diálogos bem escritos. Ben Wade se destaca mais pela rapidez da lábia do que do gatilho. Vence pela manipulação, por conhecer o oponente e seus pontos fracos, já que se encontra na maior parte do tempo de mão atadas. E nessa medida, o filme é um estudo do comportamento humano, da covardia, do desespero frente à falta de condições e também do contexto histórico, expansão ferroviária, seca e guerra.

“Os Indomáveis” conquista aos poucos - à medida que conhecemos os personagens, imergimos naquele mundo e nessa linguagem cinematográfica. É um filme que, para além de suas qualidades, destaca-se por ser um dos poucos contemporâneos que reaquece o gênero e tem o poder de fazer uma geração anos 2000 se interessar por western, mudar de opinião e buscar outros filmes tão típicos da cinematografia norte-americana, mas de apelo universal.

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“Quer que eu vista meu capuz e minha capa preta, é?”

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