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Para ler em dois minutos

22.04.08

por Lucas Galvão

REM - Accelerate

(Warner, 2008)

Top 3: “Living Well is The Best Revenge”, “Supernatural Superserious” e “Houston”.

Princípio Ativo:
efeito imediato

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Um disco pra ser ouvido de uma vez só. Assim pode ser definido o novo trabalho do trio americano, lançado no dia 1º de Abril (é verdade, eu juro) nos Estados Unidos, e que caiu na rede mais de duas semanas antes. Durante 34 minutos, a banda empilha 11 faixas de rock vivo e empolgante, ou, basicamente, músicas para você dirigir o seu carro mais rápido. Accelerate. Difícil pensar em título mais adequado. Do alto de seus 28 anos de carreira e 13 discos, Michael Stipe e sua trupe se mostram bem longe da velhice ou acomodação. Depois do sonolento Around The Sun, de 2004, a banda ressurge com uma vitalidade de 16 anos de idade. Longe de soar imatura, no entanto, a banda chega a um excelente resultado com suas guitarras distorcidas, ritmo frenético e produção bem amarrada. Mesmo com uma balada ("Until the day is done") e algumas músicas menos agitadas aqui e ali, o disco soa coeso. Os petardos são maioria absoluta, ressonando nos ouvidos por um bom tempo. Isso não significa que a banda tenha jogado as asinhas pros lados do hard rock (ainda que o riff da excelente “Living Well is The Best Revenge”, que abre o disco, pudesse perfeitamente pertencer ao falecido Hellacopters). Mesmo bem diferentes do hit “Losing My Religon” e da chorosa “Everybody Hurts”, ainda é o R.E.M. com seu rock simples e bem pensado, mas próximo de seu lado mais cru. A pluralidade também surge, com destaque para a bela “Houston”, em que uma base de violão bem indie se mescla a um órgão que lembra, vá lá, The Doors. Segundo o vocalista Michael Stipe, o disco buscaria refletir o “ritmo frenético do mundo atual”. Ao que parece, essa função foi tão bem cumprida que o álbum chegou ao topo das paradas britânicas em pouquíssimo tempo, além do single “Supernatural Superserious” estar estourado em várias praças. Michael Stipe diz que não está claro o que o novo século representa. Para ninguém está, pois, como ele mesmo já cantou, o mundo como conhecíamos já acabou. Mesmo sem saber, ele parece estar captando a essência muito bem. Em tempo de vídeos curtos do YouTube, arquivos compactados e correria geral, o negócio é acelerar para dar o recado.

Os três apressados

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