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Notas sobre a revolução

09.06.08

por Rodrigo Ortega

Coldplay - Viva la Vida or Death and All His Friends

(EMI, 2008)

Top 3: "Violet Hill", "42", "Death and All His Friends".

Princípio Ativo:
Megalomania

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O velho rei está morto, longa vida ao rei. É o que dizem na corte. O antigo imperador, o irlandês com nome de biscoito, foi destronado por um ex-sapo tímido que ganhou um beijo (e dois filhos) da Gwyneth Paltrow. A revolução já era ensaiada, mas só agora Chris Martin, vocalista e líder do Coldplay, mostra porte e desenvoltura para subir ao trono pop, com o quarto disco da sua banda, Viva la Vida or Death and His Friends.

Notas sobre a revolução: 1 - ela nem sempre é somente boa; nem sempre é somente ruim. 2 - o poder muda de mãos, mas pode ser que não mude de rosto.

Com produção de Brian Eno, que também esteve por trás de vários trabalhos do U2, entre outros, o Coldplay fez seu disco mais pretensioso. Arranjos de cordas, pianos, sintetizadores e muitos efeitos são apresentados com opulência. Com lançamento oficial neste dia 11, Viva la Vida já é o disco mais bem sucedido na pré-venda do iTunes. O primeiro single, a dramática "Violet Hill", já figura nas paradas pelo mundo. Este disco deve ser uma mina de ouro para a enfraquecida EMI. Como o rival Radiohead entregou suas armas (para download gratuito) nesta frente, vai ser difícil superar o Coldplay.

A faixa de abertura, "Life in Technicolor", prenuncia o rock de arena pomposo. No próximo single, "Viva la Vida", Chris Martin prova estar totalmente à vontade no posto, que já foi de Bono, de messias do rock. Em “Lovers in Japan”, a banda também prova que pode se fantasiar de U2 ou Echo and the Bunnyman sem que ninguém perceba. Mas a pretensão do som o torna difícil de engolir. “Cemeteries of London” e “Lost!” se perdem nas sombras de outras majestades e principalmente nos exageros da produção.

Só na quarta faixa, “42”, Viva la Vida soa como um grande disco, dessa vez no bom sentido. O início, apenas com voz e piano, é um alívio para os ouvidos e lembra a simplicidade perdida de músicas do começo da carreira, como “Trouble”. Na segunda parte, mais pesada, com estrutura simples de um verso, a energia musical é gerada e liberada, em vez de ficar presa em uma ambiência de ecos sem fim.

A banda tem até momentos mais ousados, como “Yes”, em que Martin canta com a voz grave como nunca, logo antes de a banda esquecer as arenas por dois minutos para virar shoegazer. O encerramento, com “Death and all His Friends”, é magnífico como “42”. Nestas faixas, o Coldplay e Brian Eno conseguem renovar a fórmula da banda sem perder a sua personalidade. Aí sim, o Coldplay parece um rei realmente novo. Se for assim, longa vida a ele.

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