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Não é a linha de chegada. É o percurso até lá.

11.08.08

por Daniel Oliveira

Maratona do amor686

(Run fatboy run, Reino Unido, 2007)

Dir.: David Schwimmer
Elenco: Simon Pegg, Dylan Moran, Thandie Newton, Hank Azaria, Harish Patel, Matthew Fenton

Princípio Ativo:
unagi + humor inglês

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Seria desonesto começar este texto sem admitir que saí de casa, num sábado à tarde, para assistir a “Run fatboy run” (se você preferir, “Maratona do amor”) em uma das piores salas de cinema de BH porque é o filme que o Ross dirigiu. A comédia semi-romântica é o primeiro longa metragem de David Schwimmer e - por mais que ele possa odiar isto – para mim (e para milhões de fãs), é uma forma de matar as saudades do meu “Friends” predileto.

No filme, o ótimo Simon Pegg é Dennis, inglês gordinho que abandona a noiva Libby (Newton) grávida no altar, simplesmente por achar que não está preparado. Cinco anos depois, ele ainda cai de amores por ela, mas só resolve fazer algo a respeito quando a moça começa a namorar o perfeito Whit (Azaria, novamente roubando a noiva do protagonista, depois de já ter feito isso em outro filme com uma friends, “Quero ficar com Polly”).

Ah! No caso, “fazer algo a respeito” = “completar uma maratona de caridade, mesmo sendo gordo, fumante e preguiçoso, para provar que eu mudei”.

“Run fatboy run” rende boas risadas ao combinar o humor inglês dos diálogos do roteiro de Pegg e Michael Ian Black com as “caras e bocas rossianas” em situações tão constrangedoras que os personagens não sabem o que falar. O romance também é um alívio, entre pessoas comuns, com problemas comuns e que não são ridiculamente ricas, bonitas e bem sucedidas.

Há algumas escatologias desnecessárias, mas as boas gags (o primo Gordon é hilário), a atuação de Pegg e a direção firme de Schwimmer, que comandou vários episódios de “Friends”, seguram as pontas. Não chega a ser bom como “Todo mundo quase morto” ou “Chumbo grosso”, mas passa acima da média.

Nos (poucos) momentos dramáticos, porém, a falta de experiência do diretor fica clara. “Run fatboy run” não consegue envolver durante o sofrimento de Dennis ao final, na maratona. A montagem gasta tempo demais em cenas fora da corrida e os 42 km parecem quase tão longos e intermináveis para o espectador quanto para o personagem.

O filme vence, contudo, pela simpatia e pela saga de Dennis. A história é menos sobre o romance dele e Libby do que sobre seu amadurecimento. Quando ele diz que a abandonou porque “achou melhor arruinar um dia do que estragar sua vida”, enxergamos nele a necessidade de auto-afirmação (e auto-aceitação) masculina, que nos impede de assumir qualquer compromisso se não estivermos confiantes o bastante em nós mesmos. Assim como o “we were on a break!” de Ross, não importa se ele tem razão ou não, importa que ele é um cara legal. Falho, mas legal. Assim como a estréia de Schwimmer na direção.

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No pain, no gain.

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