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Um computador na mão e uma bobagem na cabeça

30.11.04

por Rodrigo Ortega

Réu e Condenado – Um Compêndio Lírico de Escárnio e Dor

(Independente, 2004)

Top 3: “Eu sou tão mau”, “Lua de Minério” e “União Soviética”.

Princípio Ativo:
Pizza com Soda Cáustica

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Estão levando a sério a piada da dupla Daniel Drehmer e Francis Leach, aka Réu e Condenado. Os malucos se destacaram na fértil cena independente de Goiânia tocando canções engraçadinhas com acompanhamento eletrônico tosco. A brincadeira cresceu e acabou se transformando no disco Um Compêndio Lírico de Escárnio e Dor, encartado na revista Outracoisa, comandada pelo cantor Lobão.

As melodias grudentas, letras bem humoradas e refrões jovemguardianos de canções como “União Soviética” e “Hino da nossa geração” não remetem a Goiânia, mas a Porto Alegre. Tanto que o disco foi produzido pelo gaúcho Iuri Freiberger, guitarrista da banda Tom Bloch, e contou com participações de Kátia Aguiar (ex-Bidê ou Balde) e Wander Wildner. Figurinhas da cena de Goiânia também colaboram com Um Compêndio Lírico de Escárnio e Dor: Fabrício Nobre (MQN) e Márcio Júnior (Mechanics).

“O disco do Réu e Condenado / foi gravado em casa / usando apenas um computador, os instrumentos e um driver de som”, explicam os didáticos versos de “A última música do CD”, (que na verdade é a penúltima, antes de “Faixa Secreta”), composta em parceria com Iuri Freiberger.

A produção não é bem resolvida, ao tentar manter uma parte do clima de gravação demo. Boas canções ficam comprometidas, como “Jardineiro Carlos” e “Bob Paraguaçu”, que ficam sem sal, apenas com um violão mixuruca. Mas é um deslize previsível, afinal nem todo mundo é tão genial assim (como a Hebe Camargo).

O álbum proporciona vários momentos de risada intensa, especialmente nas primeiras faixas. “Eu sou tão mau” é a melhor delas, com versos divertidos como “Eu sou tão mau / que eu teria dois carros em um país comunista”.

Outra boa sacada é “Lua de Minério”, uma respeitável análise sobre a formação rochosa do satélite terrestre. O argumento é inquestionável: “Estudos indicam que o queijo surgiu há cerca de 3500 anos atrás/ lá no antigo Egito/ Se a Lua existe há 4,6 bilhões de anos/ Como diabos ela pode ser feita de queijo???”.

“Funcionário do mês”, “Vida Severina” e “Encontro em família” também são cheias de versos nonsense e tiração de sarro. O humor negro dá as caras em “Internação Hospitalar” e “Não consigo conter tanta alegria em meu coração”. “Morreu, morreu/ morreu, morreu/ vou ter que te enterrar”, cantam eles.

É bom parar por aqui para não estragar as piadas, mas deixo uma dica: evite escutar Um Compêndio Lírico de Escárnio e Dor usando fone de ouvido, para não acharem que você é um doido dando gargalhadas sozinho, feito bobo.

Da esq. para a dir.: Réu e Condenado, não necessariamente nesta ordem

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