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Para ser ouvido separadamente

19.09.08

por Taís Oliveira

MGMT – Oracular Spetacular

(Sony/BMG, 2008)

Top 3: “Kids”, “Time to Pretend”, “Eletric Feel”

Princípio Ativo:
Pais hippies e um sintetizador

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Pássaros. Um som eletrônico que parece água, ou então o motor de um carro. Um teclado que dá vontade de assobiar. Doses de ironia que só aumentam. É a primeira música de Oracular Espetacular, disco de estréia do MGMT, e eles já conseguem prever o futuro. Sucesso, mulheres, drogas, saudade da família, divórcio. Não há outra opção além de viver rápido e morrer jovem.

A primeira audição de MGMT, provavelmente os hits “Time to Pretend” ou “Kids”, impressiona. Eles são a banda do momento, mas não soam perecíveis como a banda do momento. A preguiça anti-hype é totalmente descartada ao ouvir os riffs contagiantes e a criatividade ao usar eletrônico, rock e referências antigas e conseguir parecer com uma dessas bandas da atualidade, e ao mesmo tempo não parecer com elas.

Depois de “Time to Pretend”, a esquisitinha “Weekend Wars” serve para acalmar a expressão de encantamento, enquanto prepara o terreno, adiantando o que há por vir. A lentinha “Youth” é até bonita, mas o clima “We are the world” é excessivo, enquanto se espera por mais músicas dançantes. Espera esta que não dura muito, já que a música que se segue é “Eletric Feel”, com nome quase auto-explicativo. A mistura de disco 70s com uma pitada de Jamiroquai ganha ar contemporâneo, resultando numa música contagiante com potencial para ser trilha sonora de strip-tease.

Pronta para a pista de dança é a assobiável “Kids”. Refrão maravilhoso, grudento, impossível não bater o pé, pelo menos. Impossível também não pensar em globo de espelhos e jogo de luzes. Definitivamente, o ponto alto de Oracular Espetacular.

Das “viagens” que se seguem, “Pieces of What” se destaca, com clima hippie voz e violão que se desfaz no final ao ser preenchida por outros instrumentos e vozes. Já vem com nostalgia embutida. “The Handshake” é boa, mas nada memorável. Ao final do disco, um cansaço impede que percebamos a beleza de “Future Reflections”, que finaliza com classe demonstrando que a mistura da banda dá certo. Talvez o MGMT funcione mais com músicas separadas do que em um álbum inteiro.

Oracular Espetacular, infelizmente, não consegue fugir da maldição que assola os discos das bandas do momento: a instabilidade é tanta que lembra um gráfico de eletrocardiograma, em que se alternam músicas espetaculares (com o perdão do trocadilho) e músicas medíocres, que te lembram das roupas para lavar e e-mails não lidos. Ok, o exagero talvez só se aplique ao Myths of the Near Future, do Klaxons, e de maneira bem mais amena à Oracular Espetacular. Mesmo assim, o disco não deixa de figurar entre uma das melhores coisas de 2008, desses que se deve ouvir.

Obs.1 : Esta resenha foi escrita sem as palavras “psicodélico” e “retrô”.

Obs.2.: Esse CD é a estréia da dupla com a alcunha de MGMT. Em 2005 eles lançaram Climbing to New Lows como The Management. O pessoal do Wannabeablog falou mais sobre esse álbum aqui.

MGMT em um cenário psicodélico e visual retrô (droga!)

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