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Noites de água, açúcar e mel

03.10.08

por Mariana Marques

Noites de tormenta

(Nights in Rodanthe, EUA/Austrália, 2008)

Dir.: George C. Wolfe
Elenco: Richard Gere, Diane Lane, Viola Davis, Christopher Meloni, Becky Ann Baker, Scott Glenn

Princípio Ativo:
açúcar

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Minha mãe me perguntou se o filme é bom. Eu respondi que não era bem essa a pergunta que deveria ser feita. Eu não gostei, mas talvez ela gostaria. “Noites de tormenta” é romance para (alguns) adultos apreciarem. Para isso, tem que gostar do roteiro melífluo, dos diálogos dramáticos e das reviravoltas clichês. O longa é baseado na obra de Nicholas Sparks, autor dos também melosos “Diário de uma Paixão” e “Um amor para recordar”, ambos já adaptados para o cinema.

Um dos ingredientes que agradaria minha mãe é a presença de Richard Gere, que vive Paul Flanner, um homem introspectivo, quase frio. A profissão? Médico. Ele vai à pequena cidade de Rodanthe após receber a carta de Robert Torrelson (Scott Glenn), viúvo de uma paciente sua que faleceu após uma cirurgia mal sucedida. O médico é o único hóspede na pousada onde Adrienne Willis (Diane Lane) está trabalhando para ajudar Jean (Viola Davis), sua melhor amiga e dona do local. Pouco antes de Adrienne partir para Rodanthe, seu ex-marido Jack havia proposto a reconciliação e ela prometeu pensar a respeito.

Façam as contas: homem abalado + mulher indecisa + uma tempestade daquelas de fazer um clima mais escurinho que o cinema. Imagine ainda que estão sozinhos em uma casa na praia. Saber aonde isso vai dar é mamão com açúcar, certo? Dizer que a tempestade é uma metáfora para o estado emocional dos protagonistas só não é mais clichê que dizer que a lição do filme é aquela de que “nunca é tarde para recomeçar”.

E é apoiada em clichês piegas que a trama segue. Robert e Adrienne precisam resolver conflitos com os filhos, assim como aceitar perdas e reinventar suas vidas. Não fossem as boas interpretações de Gere e Lane, seriam noventa minutos insuportáveis. Trabalhando juntos pela terceira vez (depois de “Infidelidade” e “Cotton Club”), os dois formam um casal bonito, mesmo que eu não chegue a considerar Gere tão galã quanto minha mãe acha.

Não obstante a obviedade de que qualquer casal seria formado na ocasião em que se encontravam, é possível acreditar no envolvimento dos dois no ato final. Mas “Noites de Tormenta”, filme de estréia do diretor de teatro George C. Wolfe, exagera na pieguice em seu desfecho. Acho que nem minha mãe agüentaria a quantidade de açúcar arremessada da tela ao final do dramalhão.

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Eu juro que não te traio de novo...

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