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02.11.08

por Igor Vieira

Jogos Mortais V

(Saw V, EUA, 2008)

Dir.: David Hackl
Elenco: Tobin Bell, Scott Patterson, Costas Mandylor, Julie Benz, Betsy Russell, Meagan Good

Princípio Ativo:
açougue humano

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Quando “Jogos mortais” chegou aos cinemas em 2004, seu baixo orçamento e a capacidade do diretor James Wan de fazer tanto com tão pouco logo o transformaram no novo hit entre os thrillers de investigação. A câmera rápida, as imagens sujas e edição picotada viraram estilo - copiado por seu sucessor na franquia durante os três filmes seguintes, Darren Lynn Bousman. A trama rasa contava a história de um serial killer que colocava suas vítimas em jogos sádicos e trazia uma virada inesperada ao final.

No ano seguinte, “Jogos mortais II” elevou o sadismo a outra potência com jogos entre múltiplos participantes e trouxe de volta uma vítima do primeiro filme, apostando de novo no elemento surpresa. O roteiro sofreu tentativas inúteis de aprofundamento a cada novo longa lançado. Quatro anos depois e no quinto episódio da série (agora pelas mãos de David Hackl), “Jogos mortais” se consagra como entretenimento para poucos. Diferente de outras fitas que usam a violência para mexer com o psicológico da platéia (além do estômago), “Jogos mortais V” simplesmente entrega a pílula pró-vômito empacotada e pronta pra viagem.

A desculpa do protagonista, proporcionar a suas vítimas um novo olhar sobre a vida, não passa disso: uma desculpa. A violência é gratuita, com o perdão de Mr. Haneke. E o desfile usual de imagens de mau-gosto parecem não incomodar mais como antigamente: nada mais explica assistir a uma sessão dessas acompanhado de um balde de pipocas.

Vamos à história da vez: após a morte de Jigsaw (Bell) e sua cúmplice Amanda (Shawnee Smith) em um terrível jogo que deixou apenas dois sobreviventes, a polícia pensa ter dado fim aos esquemas de terror do psicopata. No entanto, o agente Strahm do FBI (Patterson), uma das vítimas que saiu praticamente ileso do incidente, está decidido a provar que, além de Amanda, o assassino mantinha outro parceiro - e dentro da corporação. Seu principal suspeito é o detetive Hoffman (Mandylor), promovido a tenente e tornado herói pela mídia graças à sua atuação no caso.

Assim como os “Jogos” II, III e IV, este último retorna aos cenários anteriores e aproveita pontas soltas para construir o jogo investigativo da vez. A pretensão é a mesma: deixar a impressão de que tudo já fora pensado anteriormente e essa era a peça que faltava no quebra-cabeça (Jigsaw chega a proclamar essas exatas palavras). Não se engane. “Jogos V” funciona como mero anexo e a única coisa que acrescenta são dólares na conta bancária dos produtores. Resta-nos torcer para que os próximos Halloweens nos tragam filmes de terror mais interessantes.

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O orçamento é baixo. O relógio é emprestado de 24 horas mesmo.

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