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Desejo de enrolar

18.12.08

por Daniel Oliveira

Vingança

(Brasil, 2008)

Dir.: Paulo Pons
Elenco: Erom Cordeiro, Branca Messina, Bárbara Borges, Márcio Kieling, José de Abreu, Guta Stresser, Emiliano Ruschel

Princípio Ativo:
indecisão

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Algumas semanas atrás, eu escrevi sobre como vingança é algo maligno, passional, insano... e extremamente atraente e cinematográfico. Isto é, quando bem feita. Porque se depender do “Vingança” que estréia nos cinemas belorizontinos nesta sexta, ela é algo errado, mal resolvido, lento, indefinido...e chato.

Não vou revelar quem é o vingador porque parte da (pouca) graça do longa está em desvendar aos poucos o-que-é-o-quê na história. Basta que você saiba que o filme começa com uma garota, Camila (Borges), violentada em uma pequena cidade do Rio Grande do Sul. Enquanto isso, Miguel (Cordeiro) chega ao Rio de Janeiro, vindo da mesma cidade, e é seguido por um rapaz louro. Miguel conhece Carol (Messina) e inicia um caso com ela, passando a freqüentar seu grupo de amigos jovens-bonitos-classe-média-faz-nada-do-Leblon.

E é isso. A partir daí, o diretor e roteirista estreante Paulo Pons constrói uma história que aponta para várias possibilidades interessantes. E erra todas elas, apostando em clichês e estereótipos que encaminham a trama para um final fraco e anti-climático, que não recompensa a paciência e atenção do público que o acompanhou até ali.

Alguns desses clichês podem passar por retratos sociais até pertinentes – o da juventude da Zona sul carioca, cuja vida fácil e abastada é a principal financiadora do tráfico local, por exemplo. Outros são simplesmente preconceituosos, como o homem gaúcho machão e casi medieval.

Bobagens como essa desperdiçam um roteiro que começa promissor, fugindo dos temas repetitivos do cinema nacional (pobreza, violência etc.). A atuação introspectiva e um tanto ambígua de Erom Cordeiro colabora para esse início misterioso e instigante, mas Paulo Pons perde o timing de seu filme, ao adiar demais a tal vingança do título. Se ela acontecesse no meio do longa, abriria a porta para novos (e bem mais interessantes) conflitos dramáticos no roteiro. Ao invés disso, o diretor opta por arrastar o mesmo questionamento moral pelo filme todo.

Isso leva o espectador a questionar se “Vingança” vai realmente ter uma vingança. E aí, meu amigo, você já perdeu a paciência. Nem a boa trilha de Dado Villa-Lobos consegue mais disfarçar a falta de inspiração de Pons na direção, ou as atuações pouco convincentes de Branca Messina e Márcio Kieling.

Querendo pagar de filme independente, mas com elenco de globais, e de suspense, mas apostando em escolhas óbvias, “Vingança” deixa tudo no meio do caminho. E deixa o público esperando por Charles Bronson ou Chan-wook Park dar um chega pra lá em Pons, seu conflito moral, e resolver a enrolação toda de uma vez.

Mais pílulas:
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Até Branca Messina perdeu a paciência: “Ou vai ou racha”.

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